“A empresa AEM interrompe a produção na estação de Pedro Vaz após análises revelarem níveis de sal acima dos limites legais; várias localidades passam a receber água do Porto Inglês.”
Uma decisão inevitável
A empresa Águas e Energia do Maio (AEM) suspendeu a produção de água na estação dessalinizadora de Pedro Vaz, depois de análises terem identificado uma concentração de sais acima do permitido, tornando a água inadequada para consumo humano.
A medida, embora impactante para as populações locais, era previsível: a situação vinha sendo acompanhada há algum tempo, devido ao funcionamento deficitário da infraestrutura. O que os últimos testes vieram confirmar é que o problema deixou de poder ser gerido sem uma intervenção estrutural.
O que dizem os resultados das análises
Os resultados mais recentes confirmaram que a água produzida não cumpre os padrões de qualidade estabelecidos pelo Decreto-Regulamentar n.º 5/2017, que define os critérios para a água destinada ao consumo humano.
Trata-se do principal diploma legal que regula a qualidade da água em Cabo Verde. O incumprimento dos seus parâmetros não deixa margem para continuação da atividade sem reabilitação prévia da infraestrutura.
Reabilitação em curso
Face a esta situação, a AEM decidiu interromper a produção na dessalinizadora e avançar com trabalhos de reabilitação e melhoria estrutural da estação, cuja execução ficará a cargo de uma empresa especializada, com contrato já celebrado.
A celebração prévia de um contrato com empresa especializada indica que a decisão foi tomada de forma coordenada, e não como resposta de emergência imediata.
As localidades afetadas e a solução adotada
Com a suspensão da unidade, as localidades abastecidas pelo sistema de Pedro Vaz — Morrinho, Cascabulho, Pedro Vaz, Santo António, Praia Gonçalo, Pilão Cão e Alcatraz — passarão a receber água proveniente da cidade do Porto Inglês.
A solução é tecnicamente viável, mas implica uma reconfiguração logística do sistema de distribuição que pode não ser imediata nem isenta de perturbações.
Possíveis instabilidades nos próximos dias
A AEM alertou que a alteração do sistema de abastecimento poderá provocar algumas instabilidades na distribuição de água nos próximos dias, apelando à compreensão e colaboração dos consumidores.
O apelo é direto: as populações devem estar preparadas para eventuais irregularidades no fornecimento durante o período de transição.
Um problema recorrente nas ilhas pequenas
O caso de Pedro Vaz não é isolado. As ilhas de menor dimensão em Cabo Verde enfrentam de forma estrutural o desafio da produção e distribuição de água potável. As infraestruturas de dessalinização, muitas vezes antigas ou subdimensionadas, operam frequentemente no limite da capacidade, com manutenção insuficiente. A suspensão de Pedro Vaz é um sinal de que a reabilitação dessas infraestruturas deve ser uma prioridade de política pública, e não apenas uma resposta reativa a crises.
Nota editorial: O Decreto-Regulamentar n.º 5/2017 estabelece os valores paramétricos e os requisitos de qualidade para a água destinada ao consumo humano em Cabo Verde. O seu incumprimento implica obrigação legal de suspensão do fornecimento.
Recordamos que…
A estação dessalinizadora de Pedro Vaz, na ilha do Maio, apresentava sinais de funcionamento deficitário há algum tempo. Os resultados das análises à qualidade da água acabaram por confirmar o incumprimento dos padrões legais, levando a AEM a suspender a produção e a contratar uma empresa especializada para a reabilitação estrutural da infraestrutura. Até à conclusão dos trabalhos neste mês de junho de 2026, as localidades afetadas serão abastecidas a partir do Porto Inglês.
Caboverde24.info
Fonte: Inforpress / Águas e Energia do Maio (AEM)



















