“Do guardião de 40 anos ao médio que quase marcou o golo mais importante da história, a imprensa internacional analisou cada jogador dos Tubarões Azuis no empate 0-0 frente à Arábia Saudita“
Uma equipa, um bloco
O empate 0-0 frente à Arábia Saudita no NRG Stadium de Houston não foi de todo um jogo marcado por grandes individualidades. Foi a expressão máxima de um coletivo disciplinado, taticamente organizado e mentalmente resistente que garantiu a passagem histórica aos oitavos de final do Mundial 2026.
As notas técnicas que se seguem refletem a avaliação consolidada da imprensa internacional especializada — ESPN, NBC News, Goal.com, jornal A Bola e plataforma Opta — numa escala de 1 a 10.
Vozinha — 8,5 — O muro de Houston
Uma vez mais, o guardião de 40 anos de idade foi o elemento mais determinante em campo. Quando um avançado saudita tentou surpreendê-lo com um remate em chapéu, Vozinha estava atento e efetuou a defesa sem qualquer dificuldade. Mais tarde, num momento de pressão máxima na área, voltou a negar o golo a Kanno, que surgiu sozinho entre os centrais após receber um cruzamento e cabecear com força. Segurança absoluta durante os 90 minutos. Eleito o melhor em campo pela terceira vez no torneio.
Defesa — sólida e concentrada
- Roberto Lopes (Pico) e Diney Borges — 7,0 cada: A dupla de centrais foi novamente o pilar da solidez defensiva cabo-verdiana. Lopes esteve firme no posicionamento e nos duelos aéreos. Diney, mesmo sob o risco iminente de ver um cartão amarelo acumulado — que o impediria de jogar o próximo compromisso em caso de apuramento —, manteve uma concentração exemplar até ao apito final.
- João Paulo — 6,5: Entrou no onze inicial como lateral-esquerdo e foi alvo de uma entrada muito dura de Saud Abdulhamid, que valeu um cartão amarelo ao defesa saudita. Cumpriu a sua missão com solidez e sem cometer erros.
- Wagner Pina — 6,0: Impôs a sua presença física no lado direito do terreno, mas demonstrou menos influência no jogo de construção. Viu um cartão amarelo numa primeira parte bastante intensa.
Deroy Duarte — 7,5 — A revelação do jogo
O lance de ataque mais perigoso de Cabo Verde na partida pertenceu-lhe por inteiro. Num contra-ataque perfeito, Nuno da Costa lançou Duarte em profundidade, o médio ficou frente a frente com o guarda-redes saudita Al-Owais, que realizou uma defesa inacreditável e enviou a bola para canto. Duarte foi dinâmico, ganhou duelos aéreos e criou desequilíbrio com a sua movimentação entre linhas. Foi a melhor exibição individual do médio em todo o torneio.
Meio-campo — Kevin Pina voltou a assustar
Kevin Pina — 7,0: O autor do primeiro golo da história de Cabo Verde num Mundial voltou a ser muito ameaçador no ataque: o seu forte remate passou a escassos centímetros do poste, numa das melhores oportunidades da partida. Referência técnica e motor do meio-campo cabo-verdiano.
Jamiro Monteiro — 6,5: No início da segunda parte, o médio tentou finalizar um cruzamento rasteiro dentro da grande área, mas a bola foi parar diretamente às mãos do guarda-redes adversário. Trabalhou muito sem bola e ligou os setores com inteligência. Assinou um jogo consistente, sem grande brilho individual.
Ataque — Semedo criativo, Livramento contido
Willy Semedo — 6,5: Um dos destaques positivos da partida pelo corredor esquerdo. A Arábia Saudita não conseguiu durante largos períodos resolver como bloquear as suas investidas, o que abriu espaços para os colegas. Entrou em campo como titular e justificou a escolha do selecionador.
Dailon Livramento — 6,0: O avançado foi vigiado de perto pela linha de defesa saudita e teve poucas oportunidades para criar desequilíbrios. Trabalhou muito para o coletivo, mas ficou abaixo das suas capacidades individuais. Foi a sua exibição menos conseguida do torneio.
Ryan Mendes — 5,5: O capitão e recordista de internacionalizações de Cabo Verde viveu uma noite difícil. Sofreu um forte toque no joelho ainda na primeira parte e ficou visivelmente em dificuldades físicas durante largos minutos. Saiu substituído antes do final. A sua presença em campo valeu mais pelo simbolismo e experiência do que propriamente pelo impacto tático.
Os suplentes
Nuno da Costa entrou no jogo e foi determinante no lance que quase resultou no golo histórico de Deroy Duarte. Hélio Varela, herói frente ao Uruguai, também saltou do banco mas não encontrou espaços para repetir a façanha. No último lance do jogo, já no período de descontos, o próprio Nuno da Costa desperdiçou uma oportunidade praticamente de baliza aberta — mas o resultado final já bastava para fazer história.
Três jogos disputados, três empates amealhados, zero derrotas sofridas. A classificação histórica para os oitavos de final foi inteiramente construída com muita organização tática, caráter coletivo e o contributo inestimável de um guardião de 40 anos que recusou sempre parar de sonhar.
Recordamos que…
A seleção de Cabo Verde disputou os três jogos da fase de grupos do Mundial 2026 frente às congéneres da Espanha (0-0), do Uruguai (2-2) e da Arábia Saudita (0-0), terminando num brilhante segundo lugar do Grupo H com três pontos conquistados. Os Tubarões Azuis vão agora defrontar a Argentina nos oitavos de final da prova, agendados para este verão, após as notas da imprensa internacional consolidarem as exibições de Vozinha (8,5) e Deroy Duarte (7,5) em Houston neste mês de junho de 2026.
Caboverde24.info
Fonte: ESPN, NBC News, Goal.com, A Bola, Opta





























