“Enquanto a PJ prende três suspeitos na Praia, a Procuradoria-Geral admite que só se apreende uma fração do que realmente circula no arquipélago”
Uma operação, três detidos
A Polícia Judiciária (PJ) deteve, na tarde de quinta-feira, 23 de julho de 2026, três homens entre os 29 e os 40 anos no bairro da Várzea da Companhia, na ilha de Santiago.
A operação, conduzida pela Secção Central de Investigação do Tráfico de Estupefacientes e Criminalidade Organizada (SCITECO), resultou da execução de um Mandado de Busca e Apreensão Domiciliária emitido pelo Juízo de Instrução Criminal do Tribunal Judicial da Comarca da Praia.
Os três suspeitos, todos com antecedentes criminais pela prática de crimes da mesma natureza, são fortemente indiciados pela prática, em coautoria, de um crime de tráfico de droga de alto risco e de um crime de branqueamento de capitais.
O que foi apreendido
Durante as buscas, os agentes recolheram:
- 103,1593 g de cannabis já distribuídas em doses individuais prontas para venda;
- Duas balanças de precisão;
- Produtos de corte utilizados na preparação de estupefacientes;
- Telemóveis, uma motocicleta e uma quantia em dinheiro.
Não é a primeira vez que este grupo é alvo de atenção policial: em outubro de 2025, os mesmos indivíduos já tinham sido detidos numa operação em que foram apreendidos 85 g de cannabis.
Os três arguidos foram presentes a primeiro interrogatório judicial e o Tribunal Judicial da Comarca da Praia decretou a medida de coação mais gravosa: prisão preventiva.
Um caso pequeno num problema grande
Este tipo de detenção, focada no tráfico de retalho, ocorre numa semana em que as autoridades cabo-verdianas reconheceram publicamente a dimensão do desafio.
No Fórum Regional de Investigação sobre Tráfico Ilícito de Drogas, que decorreu na Praia até 22 de julho e reuniu procuradores de 15 países africanos, o procurador Luís José Landim alertou que a localização geoestratégica de Cabo Verde faz do país um ponto de passagem para redes internacionais, sublinhando que apenas se consegue apreender, globalmente, cerca de 10% do que realmente circula.
A mesma semana registou ainda a “Operação Shark”, com o desmantelamento de uma rede que operava há mais de 15 anos e a detenção de doze suspeitos, incluindo um alegado “barão” do tráfico na Praia.
Casos como o da Várzea da Companhia — pequenas quantidades, vendedores de rua, doses fracionadas — representam por isso apenas a camada mais visível de uma cadeia que, segundo as próprias autoridades, tem uma dimensão muito superior à que consegue ser travada.
Nota editorial
Os valores de droga apreendidos nesta operação são significativamente inferiores aos de casos recentes de tráfico internacional noticiados em Cabo Verde, o que reforça a leitura de que se trata de uma rede de distribuição local e não de uma organização de transporte transatlântico.
Recordamos que…
os três detidos já tinham sido alvo de uma operação policial em outubro de 2025, na qual foram apreendidos 85 gramas de cannabis. A PJ mantém o apelo à população para denunciar situações suspeitas através da linha gratuita da PJ (134).
Caboverde24.info
Fonte: Polícia Judiciária de Cabo Verde







































