“Os 25 mortos são o balanço de uma tragédia nacional. Mas, dentro desse número, há famílias onde a perda se multiplicou de uma só vez.”
Em 30 segundos
💔 Antónia Pereira perdeu cinco sobrinhos e um irmão. Tem ainda um sobrinho hospitalizado.
🕯️ Tatiana de Pina perdeu sete familiares. Luís Lopes perdeu cinco e tinha outros dois hospitalizados quando falou à Lusa.
👨👩👧👦 Os testemunhos mostram uma dimensão menos visível da tragédia: há famílias que perderam vários dos seus membros no mesmo acidente.
Há números que dizem muito e, ao mesmo tempo, não conseguem contar tudo. Vinte e cinco pessoas morreram no acidente de 5 de Setembro, no Fogo. Mas esse balanço não significa necessariamente 25 famílias atingidas por uma única perda. Em algumas casas, foram vários lugares que ficaram vazios ao mesmo tempo.
O testemunho de Antónia Pereira, recolhido esta quarta-feira pela Inforpress, ajuda a perceber essa dimensão. Perdeu seis familiares: cinco sobrinhos e um irmão. E a tragédia ainda não terminou para a família: um outro sobrinho sobreviveu e permanece hospitalizado.
Um filho que mudou de viatura
Antónia esteve perto de perder também um filho.
Segundo contou, o filho chegou a estar no autocarro, mas decidiu sair e seguir numa viatura Hiace com alguns colegas. Escapou ao acidente, mas a mãe relata que ficou profundamente traumatizado e pediu apoio psicológico para a criança.
É uma das histórias que mostram que o impacto do acidente vai muito além do número de mortos e feridos.
Sete familiares perdidos
Tatiana de Pina, de 31 anos, vive em Santiago e perdeu sete familiares, entre um tio, primos e sobrinhos.
Tentou viajar para o Fogo nos voos de domingo, mas não conseguiu chegar antes dos funerais. Quando finalmente se preparava para regressar à ilha, dez anos depois da última visita, já sabia que encontraria os familiares depois das despedidas.
No mesmo aeroporto estava Luís Lopes, de 25 anos. O acidente levou cinco membros da sua família e, quando falou à Lusa, outros dois permaneciam hospitalizados.
Luís queria chegar ao Fogo sobretudo para estar junto da mãe e da restante família.
Aldina Correia, de 70 anos, perdeu dois sobrinhos. Também decidiu viajar da Praia para o Fogo, apesar de saber que chegaria depois das cerimónias fúnebres.
Uma tragédia dentro de cada casa
Os relatos ajudam a compreender por que razão determinadas comunidades do Fogo foram atingidas de forma tão profunda.
João Semedo, sobrinho do motorista, descreveu à Inforpress famílias onde ficaram crianças sem mãe ou sem pai, mulheres que perderam filhos e marido e mães que perderam mais de um filho.
Há ainda os sobreviventes. O acidente deixou 14 feridos e, depois da transferência de dois adolescentes para a Praia, 11 permaneciam hospitalizados no Fogo, segundo a informação oficial mais recente.
Aos poucos, os números começam assim a ganhar nomes, relações e histórias.
Uma família perdeu seis pessoas. Outra, sete. Outra, cinco.
É talvez uma das dimensões mais duras da tragédia do Fogo: para algumas famílias, o dia 5 de Setembro não levou apenas uma pessoa querida. Levou várias de uma só vez.
Caboverde24.info
Fontes: Inforpress; Agência Lusa.



























