Flydubai: para que serve o machado de emergência usado no ataque ao comandante?

“Uma ferramenta concebida para situações extremas tornou-se central no incidente do voo FZ1073, que a Procuradoria-Geral dos Emirados Árabes Unidos classificou, nesta fase da investigação, como uma tentativa de ato terrorista.”

EM 30 SEGUNDOS

🪓 A Procuradoria-Geral dos Emirados Árabes Unidos afirma que o copiloto atacou o comandante com um machado de emergência existente na cabine de pilotagem.

✈️ O chamado “crash axe” faz parte do equipamento de emergência dos grandes aviões comerciais e não foi introduzido clandestinamente a bordo.

📉 Durante o incidente, o Boeing 737 perdeu 16.625 pés, aproximadamente 5.070 metros, em pouco mais de 30 segundos.

⚠️ O caso levanta uma questão pouco conhecida: como manter acessível uma ferramenta que pode ser necessária numa emergência e, ao mesmo tempo, reduzir o risco de utilização indevida?

O MACHADO FAZIA PARTE DO EQUIPAMENTO DO AVIÃO

O incidente ocorreu na quarta-feira, 30 de setembro, a bordo do voo FZ1073 da flydubai, que seguia de Dubai para Tel Aviv.

Segundo a Procuradoria-Geral dos Emirados Árabes Unidos, o copiloto atacou o comandante dentro da cabine utilizando um “crash axe”, o machado de emergência da própria aeronave, e tentou assumir os comandos.

O Procurador-Geral dos Emirados Árabes Unidos, Hamad Saif Al Shamsi, afirmou que os elementos recolhidos apontam, nesta fase da investigação, para uma tentativa de ato terrorista.

O inquérito continua para esclarecer todas as circunstâncias, os motivos, eventuais ligações e as provas físicas e digitais relacionadas com o caso.

Imagem ilustrativa de um machado de emergência, conhecido como “crash axe”, utilizado na aviação comercial. 

PORQUE EXISTE UM MACHADO DENTRO DE UM AVIÃO?

A resposta pode surpreender muitos passageiros: trata-se de equipamento de emergência.

As regras da aviação civil dos Emirados Árabes Unidos estabelecem que aeronaves com massa máxima certificada à descolagem superior a 5.700 quilos ou com configuração aprovada para mais de nove lugares de passageiros disponham de pelo menos um machado de emergência ou pé de cabra na cabine de pilotagem.

Existem disposições semelhantes noutras regulamentações da aviação internacional.

No caso do voo da flydubai, o machado não passou pelos controlos de segurança como uma arma transportada por um passageiro.

Já fazia parte do equipamento da aeronave.

PARA QUE SERVE?

O chamado “crash axe” foi concebido para situações excecionais.

Pode ser utilizado pela tripulação para romper determinados painéis ou materiais e permitir o acesso a zonas de difícil alcance durante um incêndio, acidente ou outra emergência.

É precisamente porque pode ser necessário rapidamente numa situação crítica que este equipamento permanece acessível na cabine de pilotagem.

UMA FERRAMENTA DE SEGURANÇA QUE TAMBÉM PODE SER PERIGOSA

É aqui que o caso da flydubai assume uma dimensão particularmente invulgar.

Uma ferramenta suficientemente resistente para romper determinados materiais de uma aeronave também pode provocar ferimentos graves se utilizada contra uma pessoa.

Segundo a Procuradoria-Geral dos Emirados Árabes Unidos, foi precisamente um destes equipamentos que o copiloto utilizou contra o comandante.

O episódio chama assim a atenção para um risco diferente daquele normalmente associado à segurança aeroportuária.

Neste caso, o problema não foi a entrada clandestina de uma arma no avião, mas a utilização indevida de um equipamento legítimo por alguém que tinha acesso autorizado à cabine de pilotagem.

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UMA DESCIDA DE MAIS DE CINCO MIL METROS

Durante o incidente, o Boeing 737 entrou numa descida extremamente rápida.

Dados divulgados sobre o voo indicam que a aeronave perdeu 16.625 pés, aproximadamente 5.070 metros, em pouco mais de 30 segundos.

O comandante, Smit Machchhar, ficou ferido durante o ataque.

Passageiros e membros da tripulação intervieram e ajudaram a dominar o agressor.

Dois pilotos da flydubai que viajavam fora de serviço como passageiros assumiram posteriormente os comandos da aeronave, que acabou por aterrar em segurança em Tabuk, na Arábia Saudita.

NÃO ERAM PILOTOS DE RESERVA EM SERVIÇO

Os dois pilotos que assumiram os comandos não integravam uma tripulação reforçada programada para aquele voo.

Eram pilotos da companhia que viajavam fora de serviço como passageiros.

A presença deles a bordo acabou por ser determinante depois de o comandante ter ficado ferido e o copiloto ter sido imobilizado.

QUEM É O SUSPEITO?

A declaração oficial da Procuradoria-Geral dos Emirados Árabes Unidos não divulgou o nome do copiloto.

Fontes de inteligência e das forças da ordem citadas pela imprensa norte-americana identificaram o suspeito como Hamam Al Hammami, cidadão omanita de 29 anos.

Por não constar da comunicação oficial da Procuradoria-Geral, essa identificação deve continuar a ser apresentada com atribuição às fontes jornalísticas que a divulgaram.

UM ANTECEDENTE SOB ESCRUTÍNIO

O caso poderá também levantar questões sobre os controlos aplicados a pessoas com acesso à cabine de pilotagem.

Segundo informações divulgadas pelo Wall Street Journal e pela ABC News, o copiloto já teria sido afastado das funções de voo em Omã devido a preocupações relacionadas com alegadas posições extremistas.

A ABC News noticiou, citando responsáveis de inteligência e das forças da ordem, que o homem teria sido considerado um risco de segurança quando trabalhava como copiloto em formação na Oman Air.

Segundo o Wall Street Journal, não está claro se as preocupações existentes em Omã foram partilhadas com outras autoridades ou com a flydubai.

Estas informações não fazem parte da declaração oficial da Procuradoria-Geral dos Emirados Árabes Unidos e permanecem atribuídas às fontes citadas pelos meios internacionais.

DEVE O MACHADO DEIXAR DE EXISTIR NOS AVIÕES?

O incidente poderá provocar uma discussão sobre armazenamento, acesso e procedimentos, mas retirar simplesmente este equipamento dos aviões não é uma conclusão que possa ser retirada do caso.

O machado está a bordo porque pode desempenhar uma função importante numa situação de emergência e a sua presença está prevista pelas normas aeronáuticas.

Caberá às autoridades e à indústria avaliar, depois da investigação, se são necessárias alterações na forma como estes equipamentos são guardados ou utilizados.

Por enquanto, uma coisa está oficialmente esclarecida: o objeto utilizado no ataque ao comandante não era uma arma levada clandestinamente para dentro do avião.

Era um equipamento de emergência da própria aeronave.

Caboverde24.info

Fonte: Procuradoria-Geral dos Emirados Árabes Unidos / agência WAM; Autoridade Geral de Aviação Civil dos Emirados Árabes Unidos; Reuters

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