Arquivo — mosquito a alimentar-se sobre pele humana. Imagem ilustrativa, sem documentar um caso ou surto em Cabo Verde nem identificar com certeza a espécie.

Mosquitos em Cabo Verde: por que a vigilância continua necessária?

“«O novo relatório da OMS regista menos pessoas a precisar de intervenções contra doenças tropicais negligenciadas desde 2010, mas mais mortes por doenças desse grupo transmitidas por vetores. Em Cabo Verde, a vigilância do Aedes aegypti continua necessária.»”

Em breve

  • A OMS estima que 1,41 mil milhões de pessoas ainda precisavam de intervenções em 2024.
  • As mortes por doenças tropicais negligenciadas transmitidas por vetores aumentaram.
  • A OMS documenta presença constante de Aedes aegypti em Cabo Verde.
  • Presença do mosquito não significa, por si só, doença ou surto em circulação.

A Organização Mundial da Saúde registou avanços importantes contra as doenças tropicais negligenciadas, mas deixou um alerta que interessa diretamente a Cabo Verde: as mortes provocadas por doenças tropicais negligenciadas transmitidas por vetores aumentaram. O relatório global publicado em 4 de novembro estima que 1,41 mil milhões de pessoas ainda precisavam de intervenções em 2024, menos 36% do que em 2010 e menos 19% do que em 2020.

Aedes aegypti continua presente

O documento global não afirma que o mosquito Aedes aegypti tenha sido eliminado de Cabo Verde nem que esteja a regressar agora. Em maio de 2025, a representação da OMS no país documentou presença constante de Aedes aegypti e a necessidade de vigilância e luta antivetorial permanentes.

Mosquito não é o mesmo que doença

Encontrar um mosquito não equivale a confirmar dengue ou outra doença numa pessoa e, por si só, não demonstra a existência de um surto. A dengue é uma infeção transmitida por picadas de mosquitos infetados. Por isso, é importante distinguir a presença do vetor da confirmação de doença.

O que fazer em casa

A prevenção em casa é concreta: a OMS recomenda remover recipientes que podem acumular água e esvaziar, limpar e tapar os depósitos de água domésticos semanalmente. Quintais, varandas e locais onde se guarda água merecem atenção regular. Estas recomendações são gerais e não indicam, por si só, que exista um novo surto em Cabo Verde.

Avanço mundial, mas metas ainda distantes

No plano mundial, 63 países tinham eliminado pelo menos uma doença tropical negligenciada até junho de 2026, contra 42 no final de 2020. Apesar disso, a OMS considera que a maioria dos indicadores continua abaixo das metas de 2030 e identifica vigilância pós-eliminação, diagnóstico, água e saneamento e controlo de vetores entre as prioridades.

Os números globais do relatório referem-se sobretudo a dados de 2024, com informação parcial de 2025 e alguns resultados acumulados até junho de 2026. Não medem a situação epidemiológica atual de Cabo Verde. Para o país, a leitura correta é de prevenção contínua: manter a vigilância, reduzir criadouros e distinguir a presença do mosquito da confirmação de uma doença ou de um surto.

Caboverde24.info

Fonte: OMS

Foto: USDA · Public domain · recorte

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