“A mensagem de “Natal sereno” da concessionária foi recebida com indignação por passageiros que foram retidos nos portos”
A CV Interilhas (CVI) utilizou as redes sociais para partilhar uma mensagem festiva num momento de grande pressão sobre o sistema de transportes marítimos. No entanto, a publicação tornou-se rapidamente num espaço de protesto, onde dezenas de utentes relataram viagens canceladas e a impossibilidade de estarem com as suas famílias durante a quadra natalícia.
Recordamos que a mobilidade interilhas tem sido alvo de intenso debate em Cabo Verde. No passado mês de novembro, a empresa foi galardoada com o selo “Empresa de Excelência 2024”, uma distinção técnica que foi recebida com ceticismo por parte de muitos utentes que enfrentam dificuldades diárias no serviço.
No mundo digital, a comunicação institucional exige uma sensibilidade apurada em relação à realidade vivida pelos clientes. Este Natal, a CV Interilhas (CVI) publicou na sua página de Facebook uma mensagem que pretendia ser reconfortante: “A CV Interilhas deseja-lhe um Natal sereno e cheio de bons momentos ao lado de quem faz parte da sua viagem.” No entanto, para centenas de cabo-verdianos, a palavra “sereno” esteve longe de descrever a sua experiência.
O post, acompanhado pela imagem de uma família sorridente, tornou-se o epicentro de uma onda de críticas. O contraste entre o desejo de “bons momentos” da empresa e a realidade de quem passou a consoada retido num porto ou numa sala de espera gerou uma reação imediata e contundente por parte dos internautas.
O peso do descontentamento digital
A indignação subiu de tom à medida que os relatos eram partilhados, revelando o impacto humano das falhas operacionais. E.R. lembrou que a empresa deveria arranjar mais navios para que o serviço pudesse melhorar, enquanto R.W.A. criticou duramente a “lata” da concessionária em desejar feliz natal após causar tanto constrangimento às famílias. O internauta A.C. desabafou sobre as centenas de passageiros deixados longe das famílias sem qualquer plano de reposição, sendo secundado por B.K.O., que relatou ter passado a data longe dos seus e sem condições básicas de alimentação. A frustração atingiu o auge com o comentário de R.R., que classificou a empresa como uma “decepção” por não permitir o reencontro familiar mesmo após a compra de passagens com um mês e meio de antecedência, enquanto A.S. não hesitou em rotular a concessionária como uma “empresa de quinta categoria”.
O contraste entre a mensagem e a realidade
A secção de comentários transformou-se num mural de reclamações detalhadas. Internautas denunciaram que o desejo de estar “ao lado de quem faz parte da sua viagem” foi impossibilitado por cancelamentos de última hora. Relatos de passageiros que planearam o seu regresso com grande antecedência e, mesmo assim, não conseguiram embarcar, povoaram a página oficial da concessionária.
Para muitos, a mensagem de Natal da CVI foi interpretada como um desfasamento da realidade. Enquanto a empresa falava em serenidade, passageiros retidos na Praia, com destino a São Nicolau ou ao Sal, descreviam o desespero de passar a data mais importante do ano longe dos seus entes queridos devido a falhas na logística.
Conclusão: Mais do que navios, é preciso compromisso
Este episódio sublinha que a mobilidade em Cabo Verde é, acima de tudo, um serviço humano. O post de Natal da CV Interilhas, e a consequente reação dos internautas, servem como um alerta para a necessidade de alinhar a comunicação institucional com a prestação real do serviço.
Garantir que cada cabo-verdiano possa estar “ao lado de quem faz parte da sua viagem” é uma responsabilidade que vai além de um post no Facebook. Exige navios operacionais, horários cumpridos e uma gestão que priorize as pessoas. Que este Natal de críticas sirva de lição para que, no futuro, as mensagens de boas festas correspondam, de facto, à alegria de quem viaja.
Caboverde24.info
Fonte:Pagina Facebook CV Interilhas
Imagem: Aprimorada com AI







































