“Trabalhadores da segurança aérea e suporte técnico reivindicam melhorias salariais e progressão na carreira”
O setor da aviação civil em Cabo Verde enfrenta um novo período de incerteza. Os trabalhadores da empresa Aeroportos e Segurança Aérea (ASA), representados pelo Sindicato da Indústria, Transportes, Telecomunicações, Hotelaria e Turismo (Sintcap), entregaram um pré-aviso de greve com início agendado para o dia 16 de março de 2026. A paralisação, decidida por unanimidade, surge após o impasse nas negociações sobre o caderno de reivindicações da classe.
O impasse nas negociações
A decisão de avançar para a via da contestação foi selada em assembleia-geral no dia 27 de fevereiro. No centro do conflito estão exigências antigas que, segundo o sindicato, não foram devidamente acauteladas pela administração da ASA. Entre os pontos principais constam o reenquadramento profissional de vários técnicos, a atribuição do subsídio de tecnicidade e o subsídio de qualificação.
Apesar da entrega do pré-aviso, os trabalhadores sublinham que a porta para o diálogo não foi fechada. Para tentar evitar o cenário de paralisação, está agendada uma reunião de mediação sob a égide da Direção-Geral do Trabalho para o dia 11 de março, onde se espera uma contraproposta que satisfaça as partes.
Impacto nas operações aeroportuárias
Caso não se chegue a um entendimento, a greve terá a duração de 72 horas. Estão envolvidos técnicos de informação e comunicação aeronáutica, profissionais de telecomunicações e pessoal das áreas de suporte à gestão. Sendo estes profissionais essenciais para a logística e segurança dos voos, a paralisação poderá causar atrasos ou cancelamentos na rede de aeroportos do arquipélago.
A administração da ASA e o Governo deverão, como é habitual nestas circunstâncias, definir os serviços mínimos para garantir a continuidade de operações críticas e voos de emergência sanitária ou de proteção civil.
Resumo das reivindicações e prazos
Histórico de instabilidade
Não é a primeira vez que a ASA enfrenta ameaças de paralisação recentemente. Em dezembro de 2025, os controladores de tráfego aéreo também chegaram a anunciar greves, que acabaram por ser suspensas ou canceladas após negociações de última hora ou através do instrumento de requisição civil por parte do Governo. Esta recorrência demonstra um clima de tensão laboral que tem desafiado a estabilidade do hub aéreo nacional.
A ASA
A Aeroportos e Segurança Aérea (ASA) é a empresa pública responsável pela gestão dos aeroportos e aeródromos de Cabo Verde, bem como pelo controlo do tráfego aéreo na vasta Região de Informação de Voo (FIR) do Sal. É uma das empresas mais estratégicas do país, sendo fundamental para o turismo e para a ligação do arquipélago com o mundo.
Nota Editorial
A redação do Caboverde24.info acompanhará de perto a reunião de mediação do dia 11 de março, atualizando os leitores e passageiros sobre qualquer decisão que possa levar ao cancelamento desta greve.
Caboverde24.info
Fonte: Sintcap / Direção-Geral do Trabalho







































