“Reunião de alto nível em Dakar valida a competência técnica nacional na gestão da ‘autoestrada’ invisível do Atlântico”
Entre os dias 6 e 10 de abril de 2026, a capital do Senegal, Dakar, torna-se o centro de decisões vitais para a economia azul e aérea de Cabo Verde. Decorre a 7ª Reunião Conjunta do Grupo de Gestão da Implementação e Supervisão da Segurança do Atlântico Sul (SAT IMG/7 & SAT SOG/7), sob a coordenação da ICAO. Embora invisível para a maioria dos cidadãos, é nestas salas técnicas que se decide a viabilidade e a eficiência do corredor EURSAM, a rota transatlântica que faz do arquipélago um ponto indispensável na aviação mundial.
O que é o corredor EURSAM e por que é vital?
O EURSAM (Europe–South America) é um corredor aéreo oceânico de alta densidade que canaliza o tráfego entre os principais centros económicos da Europa e da América do Sul. Cabo Verde, estrategicamente posicionado, controla uma das zonas mais críticas deste percurso através da Região de Informação de Voo (FIR) do Sal.
Diferente do que muitos pensam, a FIR do Sal não gere apenas os voos que aterram no nosso território, mas uma vasta e estratégica porção do espaço aéreo oceânico. Historicamente, a FIR do Sal regista diariamente centenas de movimentos de aeronaves, assegurando que dezenas de milhares de voos anuais cruzem o Atlântico com total precisão. São voos vindos de cidades como Madrid, Lisboa ou Paris com destino a São Paulo, Buenos Aires ou Santiago do Chile, todos sob a vigilância atenta dos profissionais cabo-verdianos.
O que está em discussão em Dakar em 2026?
A reunião de abril de 2026 foca-se na modernização dos sistemas de vigilância oceânica e na otimização das rotas. Especialistas nacionais da ASA (Aeroportos e Segurança Aérea) e reguladores internacionais analisam a implementação de tecnologias de navegação baseadas em satélite (PBN) e a redução dos mínimos de separação vertical para acomodar o crescimento do tráfego esperado.
Para Cabo Verde, o desafio é técnico e financeiro. Manter a excelência na FIR Sal exige investimentos constantes em comunicações de longo alcance e na formação de controladores de elite. O objetivo é permitir que as companhias aéreas utilizem trajetórias mais diretas, poupando toneladas de combustível e reduzindo a pegada de carbono da aviação global.
As implicações económicas e a soberania do céu
A relevância deste corredor traduz-se em receitas significativas através das taxas de navegação aérea. Neste cenário, o papel da ASA (Aeroportos e Segurança Aérea) é determinante. Enquanto braço operacional do Estado, a ASA assegura que o país não seja apenas um observador da geografia, mas um gestor ativo de um ativo estratégico. É através da competência técnica dos seus profissionais e da modernização constante das suas infraestruturas que Cabo Verde mantém a sua autoridade sobre o espaço aéreo oceânico.
Cada avião que utiliza a FIR do Sal paga pelo serviço de proteção prestado pelos nossos controladores. Se a ASA não acompanhasse as normas discutidas no Grupo SAT em Dakar, as companhias aéreas poderiam optar por rotas que contornassem a nossa jurisdição, transferindo essa receita para outras FIRs vizinhas. Portanto, a excelência demonstrada pela ASA nesta semana é a garantia de uma das maiores fontes de divisas externas do país. O verdadeiro “segredo” da nossa posição estratégica reside na capacidade técnica comprovada da ASA em gerir uma das rotas aéreas mais movimentadas do planeta.
Quem é a ICAO (WACAF)?
A ICAO (Organização da Aviação Civil Internacional) é a agência da ONU que estabelece os padrões para a aviação mundial. O seu escritório regional, o WACAF, sediado em Dakar, garante que Cabo Verde cumpre os rigorosos requisitos de segurança (Safety) e proteção (Security). Sem o selo de aprovação desta agência, o Hub do Sal não teria permissão internacional para gerir este volume de tráfego transatlântico.
A capacidade técnica como garantia de soberania
O verdadeiro segredo da nossa posição estratégica não reside apenas na sorte da localização geográfica. No mundo da aviação moderna, a geografia é irrelevante se não for acompanhada por competência técnica. Cabo Verde só é indispensável porque provou ter profissionais capazes de gerir, com segurança e eficiência, uma das áreas mais complexas do mundo.
A participação ativa nestas reuniões internacionais de 2026 assegura que o país continua a ditar as regras no seu próprio céu, transformando o nosso orgulho nacional e o trabalho da ASA num motor de desenvolvimento económico respeitado globalmente.
Caboverde24.info
Fonte: ICAO WACAF – Documentação Técnica da Joint SAT IMG/7 & SAT SOG/7 Meeting (Dakar, Abril 2026); Relatórios de Tráfego FIR Oceânica do Sal; Relatórios de Gestão ASA S.A.







































