“Com os preços dos combustíveis em subida desde março, os cabo-verdianos interrogam-se se vale a pena encher o depósito antes da próxima atualização da ARME.”
O que se sabe sobre junho
A cada início de mês, a Agência Reguladora Multissetorial da Economia (ARME) divulga os novos preços máximos dos combustíveis para o mercado interno. A atualização de junho de 2026 ainda não foi publicada, mas o contexto atual permite antecipar com razoável segurança o que aí vem.
Desde abril, o governo cabo-verdiano suspendeu o mecanismo automático de indexação dos preços ao mercado internacional, adotando em sua substituição um regime excecional com tetos máximos de aumento por tipo de combustível. Esse regime vigora até 30 de junho.
Três meses seguidos de subidas
O historial recente é claro. Em março, os preços subiram em média 5,52%. Em abril, o aumento médio foi de 5%, com a gasolina a passar para 139,89 escudos por litro e o gasóleo normal para 117,52 escudos por litro. Em maio, a subida foi de 4,4% em média, levando a gasolina aos 151,10 escudos por litro e o gasóleo normal aos 126,90 escudos por litro. O gás butano foi o único produto que não registou qualquer aumento em maio.
Três meses consecutivos de subidas, com um aumento acumulado que supera os 15% desde fevereiro.
O que diz o mercado internacional do petróleo
Os preços em Cabo Verde acompanham, com as limitações impostas pelo governo, a evolução do crude Brent do mercado internacional. O cenário externo continuou a ser marcado por fortes tensões em 2026: o encerramento de facto do Estreito de Ormuz, no final de fevereiro, provocou um pico histórico do Brent em abril, que chegou a atingir os 138 dólares por barril numa única sessão.
No final de maio, o Brent recuou para cerca de 96 dólares por barril — ainda 52% acima do nível de há um ano. Os analistas da Agência de Informação Energética dos Estados Unidos (EIA) estimam que o preço se mantenha na faixa dos 100 a 106 dólares por barril durante junho, antes de iniciar uma descida gradual no segundo semestre.
Haverá aumento no dia 1 de junho?
Tudo indica que sim, mas provavelmente mais moderado do que nos meses anteriores.
Os tetos máximos definidos pelo governo para o período abril-junho permitem subidas de até 8% na gasolina e no gasóleo normal, até 5% no gasóleo marinha, e até 2% no gasóleo para eletricidade e nos fuelóleos. O gás butano pode ser mantido estável, como aconteceu em maio.
Tendo em conta que o Brent recuou significativamente desde o pico de abril, e que o novo ciclo governativo tem interesse em não agravar o custo de vida logo no arranque, a subida de junho deverá situar-se entre os 2% e os 5% para os combustíveis rodoviários, com possibilidade de estabilidade no gás butano.
E depois de junho?
Esta é a pergunta mais importante. O regime de suspensão do mecanismo automático termina a 30 de junho. O que acontece a partir de julho depende de uma decisão do novo governo, que tomará posse nas próximas semanas.
Se o mecanismo automático for reativado sem qualquer amortecedor, os preços poderão ajustar-se de forma mais brusca em função da cotação internacional do momento. Se o governo optar por uma nova prorrogação do regime excecional, o padrão de subidas graduais poderá continuar.
Há ainda outro fator estrutural a considerar: os diferenciais de preço acumulados e não recuperados pelas distribuidoras ao longo dos meses de vigência do regime excecional serão reembolsados de forma faseada, até um máximo de 30% ao longo de 12 meses, sendo o restante suportado pelo Estado. Existe, portanto, uma pressão latente sobre os preços que não desaparece automaticamente com a estabilizzazione do Brent.
Vale a pena abastecer antes de domingo à meia-noite?
Se o aumento de junho se confirmar na faixa dos 3% a 5% para a gasolina, um depósito de 40 litros custará entre 180 e 300 escudos a mais a partir de domingo. Não é uma diferença que justifique uma corrida às bombas, mas para quem precisar de abastecer de qualquer forma nos próximos dias, fazê-lo antes de domingo à meia-noite é financeiramente racional.
Para os consumidores de gasóleo e para as empresas com frotas, o cálculo pesa mais: volumes maiores e margens mais estreitas tornam qualquer poupança relevante.
Recordamos que…
Desde março de 2026, o governo cabo-verdiano suspendeu o mecanismo automático de fixação dos preços dos combustíveis e introduziu tetos máximos de aumento mensais, no âmbito da Resolução n.º 63/2026, para proteger o poder de compra das famílias face à forte subida internacional do petróleo provocada pelo encerramento do Estreito de Ormuz. Os preços regulados são fixados mensalmente pela ARME com base na evolução do mercado internacional e na cotação euro/dólar.
Caboverde24.info
Fonte: análise macroeconómica da redação do Caboverde24.info





































