Cabo Verde regista reservas históricas de 1,1 mil milhões de euros no primeiro trimestre de 2026

“O Banco de Cabo Verde confirma a evolução favorável das contas externas, com reservas internacionais que garantem nove meses de importações — o valor mais elevado de sempre.”

Um marco histórico para a economia cabo-verdiana

​O Banco de Cabo Verde (BCV) registou, no primeiro trimestre de 2026, um desempenho positivo das contas externas do arquipélago. As reservas internacionais líquidas atingiram níveis historicamente elevados, ascendendo a cerca de 1,1 mil milhões de euros, o equivalente a aproximadamente nove meses de importações.

​Trata-se do valor mais elevado de sempre registado pelo banco central, numa trajectória de crescimento sustentado que reflecte a solidez da posição externa do país.

Os motores deste desempenho

​As contas externas apresentaram um desempenho considerado muito favorável pelo banco central. A balança corrente registou um excedente de 3,7% do PIB e as reservas internacionais líquidas aumentaram para 1.064,5 milhões de euros, suficientes para garantir 8,8 meses de importações, acima dos 6,5 meses registados em 2024. O BCV atribui esta evolução ao crescimento das receitas do turismo, das remessas dos emigrantes, das transferências privadas e do investimento directo estrangeiro (IDE), que aumentou 39,7% em 2025, atingindo 14,8 mil milhões de escudos.

​O aumento do IDE e das remessas da diáspora também contribuiu para fortalecer a posição externa do país. Entre janeiro e setembro de 2025, o IDE líquido atingiu 79 milhões de euros, enquanto as remessas totalizaram 200 milhões de euros.

Principais Indicadores das Contas Externas

Estabilidade que reforça a credibilidade do escudo

​As contas externas continuam a evoluir favoravelmente, com as reservas internacionais líquidas a atingirem níveis historicamente elevados, superiores a 1,1 mil milhões de euros, assegurando cerca de nove meses de importações. A manutenção da trajetória descendente do rácio da dívida pública em percentagem do PIB, bem como o excedente do saldo primário, resultante da evolução favorável das receitas, reforçam a estabilidade macroeconómica do país.

​O BCV manteve as taxas de juro de referência nos níveis actuais, considerando esta a decisão adequada face ao cenário em vigor.

Perspectivas para 2026

​Apesar do contexto externo menos favorável, o BCV prevê que as contas externas continuem globalmente equilibradas e que as reservas internacionais líquidas permaneçam em níveis confortáveis, garantindo cerca de 8,4 meses de importações em 2026.

​As projecções actualizadas apontam para um abrandamento da actividade económica nacional em 2026, prevendo-se um crescimento de 5%, próximo do potencial da economia. O banco central considera que a economia cabo-verdiana mantém fundamentos sólidos para atravessar um contexto internacional mais incerto.

Recordamos que…

O Banco de Cabo Verde publica regularmente o seu Boletim de Indicadores Económicos e Financeiros, no qual acompanha a evolução das principais variáveis macroeconómicas do arquipélago. Os dados relativos ao primeiro trimestre de 2026 confirmam a continuidade da trajectória positiva das contas externas iniciada em 2023, consolidando a estabilidade e a robustez financeira do país perante os parceiros internacionais.

Caboverde24.info

Fonte: Banco de Cabo Verde (BCV) / Lusa

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