As razões por trás da greve: o que reivindicam os profissionais de saúde?

“Entenda os motivos que levaram sete sindicatos a paralisar o setor em todo o país”

O anúncio de uma greve nacional de três dias no setor da saúde, agendada para o período de 28 de abril a 1 de maio, gerou uma onda de preocupação entre os utentes em Cabo Verde. No entanto, para os profissionais da classe, esta decisão é o culminar de um longo processo de negociações sem resultados práticos. O foco da paralisação não é apenas salarial, mas sim o cumprimento de compromissos legais que os sindicatos afirmam terem sido negligenciados pelo Executivo.

​O impasse do PCFR

​O motivo central da discórdia reside na implementação do Plano de Carreiras, Funções e Remunerações (PCFR). Embora o Governo tenha anunciado a aprovação deste novo quadro legal, os profissionais alegam que a transição para as novas grelhas salariais não está a ser feita de forma justa ou conforme o acordado. Os sindicatos exigem que a atualização da tabela remuneratória reflita o custo de vida atual e a responsabilidade das funções exercidas, algo que, segundo os mesmos, não aconteceu na prática.

​Pendências e retroativos em atraso

​Para além das tabelas salariais, existe um histórico de dívidas laborais que se arrasta há anos. Entre os pontos que motivaram o pré-aviso de greve estão:

  • Pagamento de retroativos: Verbas devidas por progressões e promoções que foram congeladas no passado.
  • Regularização de precários: Técnicos e auxiliares que trabalham há anos com contratos temporários sem estabilidade.
  • Subsídios de risco e isolamento: A falta de pagamento atempado de subsídios para quem trabalha em zonas remotas ou em condições de especial penosidade.

​O esgotamento do diálogo

​Segundo as estruturas sindicais, a greve é um “último recurso”. Após várias rondas negociais e a suspensão de um pré-aviso de greve no final de 2025, os profissionais sentem que as promessas de inclusão de verbas específicas no Orçamento do Estado de 2026 não foram plenamente cumpridas. A classe argumenta que a valorização da carreira médica e de enfermagem é essencial para travar a emigração de quadros qualificados, um problema crescente no país.

Caboverde24.info

Fonte: Comunicado Sindical

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