Ébola: Cabo Verde reforça controlo nos pontos de entrada do arquipélago face ao surto na África Central

“A diretora-geral da Saúde garante que o país não vai fechar as portas, mas intensifica as inspeções sanitárias e atualiza o plano de contingência.”

Cabo Verde em alerta preventivo

​Face ao grave surto de Ébola que assola a República Democrática do Congo (RDC) e que já se propagou ao Uganda, as autoridades de saúde de Cabo Verde decidiram agir de forma preventiva. A diretora-geral da Saúde, Ângela Gomes, confirmou que as autoridades cabo-verdianas estão a atualizar o plano de contingência contra o vírus do Ébola e reforçaram o controlo sanitário nos pontos de entrada do arquipélago.

​A declaração foi feita à margem da XVII edição do Encontro Nacional de Médicos Internos de Saúde Pública, realizado no Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em Lisboa — uma ocasião que serviu também para estreitar a cooperação com Portugal na formação avançada de quadros técnicos cabo-verdianos.

O que está a ser feito concretamente

​Ângela Gomes sublinhou que as autoridades de saúde de Cabo Verde “estão a atualizar o plano de preparação e prontidão para qualquer eventualidade”, mantendo uma conexão direta com os países afetados para atualizar as medidas sempre que necessário.

​No que diz respeito às medidas concretas já em vigor, a responsável confirmou que, do ponto de vista sanitário, foram reforçadas as inspeções sanitárias, com um cumprimento estrito, também a nível regulatório, que as entidades hoteleiras presentes no país devem respeitar e seguir.

​A diretora-geral foi clara quanto ao posicionamento do arquipélago: a forte ligação de Cabo Verde ao continente africano obriga a reforçar o controlo nos pontos de entrada, mas, por enquanto, o país “ainda não está a fechar as portas”.

​O contexto internacional: uma emergência de proporções crescentes

​O surto que motivou estas medidas é de extrema gravidade. Em 15 de maio de 2026, o Ministério da Saúde da RDC confirmou um surto de doença de Ébola na província de Ituri, no nordeste do país. Trata-se do 17.º surto registado na RDC desde que o vírus foi identificado pela primeira vez em 1976.

​As análises laboratoriais confirmaram o vírus Bundibugyo em 8 de 13 amostras recolhidas. Os doentes apresentaram sintomas como febre, dores generalizadas, fraqueza, vómitos e, em alguns casos, hemorragias.

​A 16 de maio de 2026, a Organização Mundial da Saúde declarou o surto uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) — o nível de alerta máximo previsto pelo Regulamento Sanitário Internacional, e apenas a oitava declaração deste tipo desde 2005.

​Os números mais recentes são preocupantes: até 21 de maio, foram registados 575 casos suspeitos, 51 casos confirmados e 148 mortes suspeitas, incluindo dois casos confirmados no Uganda em pessoas provenientes da RDC.

​O vírus ultrapassou as fronteiras africanas: um médico missionário norte-americano que trabalhava num hospital no leste da RDC contraiu o vírus Bundibugyo e foi evacuado para o hospital Charité, em Berlim, tornando-se o primeiro caso de evacuação médica intercontinental deste surto.

A resposta global: outros países também agem

​Cabo Verde não é o único país a tomar precauções. A 18 de maio de 2026, os Estados Unidos implementaram medidas reforçadas de rastreio de viajantes, restrições de entrada e medidas de saúde pública para prevenir a introdução da doença no território norte-americano. Washington restringiu a entrada de cidadãos estrangeiros que tenham estado na RDC, Uganda ou Sudão do Sul nos 21 dias anteriores.

​Na África, a resposta também se intensifica. O Ruanda reforçou os controlos sanitários e a vigilância nas passagens fronteiriças terrestres com a RDC, tendo encerrado a fronteira terrestre para prevenir a propagação do vírus, e implementou medidas reforçadas no Aeroporto Internacional de Kigali.

​Por que Cabo Verde deve estar atenta

​Sendo um arquipélago com uma economia fortemente assente no turismo e com ligações aéreas diretas a múltiplos países africanos e europeus, Cabo Verde apresenta uma vulnerabilidade específica às doenças de transmissão internacional. A ilha do Sal, principal hub aéreo do país, recebe diariamente voos de Portugal, Reino Unido, Alemanha, Países Baixos e de várias capitais africanas — o que torna o controlo nos aeroportos e portos uma prioridade crítica.

​A OMS recomenda que os países considerados não afetados fortaleçam os sistemas de vigilância epidemiológica para deteção precoce de casos suspeitos, especialmente em pessoas com histórico de viagem ou exposição em locais afetados, e orientem os viajantes sobre formas de prevenção e procedimentos a adotar em caso de suspeita de contacto com o vírus Bundibugyo.

Recordamos que o vírus do Ébola é uma ameaça global monitorizada com rigor em Cabo Verde. Em maio de 2026, após a OMS declarar o surto do vírus Bundibugyo na RDC como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (com 575 casos suspeitos e 148 mortes), as autoridades cabo-verdianas, através da diretora-geral da Saúde Ângela Gomes, atualizaram o plano de contingência e reforçaram as inspeções sanitárias nos portos e aeroportos, mantendo as fronteiras abertas.

Caboverde24.info

Fonte: RTP Notícias / CDC / OMS / Departamento de Estado dos EUA

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