“Novo relatório da Business Insider destaca o impacto dos preços dos alimentos e da dependência de importações no arquipélago”
O custo de vida continua a ser um dos temas mais sensíveis para as famílias em África, num cenário de recuperação económica global e ajustes nas cadeias de logística. Recordamos que, historicamente, Cabo Verde tem enfrentado desafios estruturais devido à sua insularidade e à necessidade de importar cerca de 80% dos produtos que consome. Em anos anteriores (2024-2025), o país já ocupava posições de destaque nestes índices, uma tendência que se mantém em 2026, com o país a figurar como o 4.º mais caro do continente, atrás apenas das Seychelles, RD Congo e Senegal.
Uma vista panorâmica de 180 graus da Cidade da Praia ou do Porto Grande em São Vicente, mostrando a integração entre a cidade, o porto (porta de entrada dos produtos) e o oceano, simbolizando a economia insular.
O arranque de 2026 traz dados que confirmam a pressão económica sobre o bolso dos cabo-verdianos. De acordo com o mais recente relatório da Business Insider Africa, baseado nos dados atualizados do índice de custo de vida, Cabo Verde ocupa a 4.ª posição entre as nações africanas com o custo de vida mais elevado. Com um índice geral de 46.3, o arquipélago destaca-se num ranking liderado pelas Seychelles.
O peso dos bens essenciais
O fator que mais contribui para esta posição de Cabo Verde não é o custo da habitação — que, curiosamente, é um dos mais baixos do ranking, com um índice de rendas de apenas 8.8 — mas sim o preço dos produtos de consumo diário. O índice de produtos de mercearia (groceries) atinge os 57.2, um valor significativamente alto que reflete a dependência das importações e os custos de transporte marítimo internacional.
Este desequilíbrio cria um cenário onde viver em Cabo Verde pode ser financeiramente pesado para quem recebe salários locais, embora o custo imobiliário seja relativamente controlado em comparação com capitais como Dakar ou Luanda.
Poder de compra em análise
Um dado que merece reflexão profunda é o Poder de Compra Local, que se fixa em 21.3. Este indicador revela a dificuldade real: embora os preços sejam elevados (especialmente na alimentação), a capacidade financeira média dos cidadãos para adquirir esses bens e serviços ainda é limitada.
Em comparação com outros países no topo da lista:
- Seychelles (1.º): Mantém o custo de vida mais alto (64.5), impulsionado pelo turismo de luxo e isolamento.
- Senegal (3.º): Apresenta um índice de 48.5, com custos de alimentação também elevados, mas rendas mais caras que as de Cabo Verde.
Impacto no setor do turismo e restauração
O relatório aponta ainda que o índice de preços em restaurantes em Cabo Verde situa-se nos 35.6. Para uma economia que aposta fortemente no turismo, este valor mantém o país competitivo para o visitante estrangeiro, mas a discrepância entre o custo para o turista e o custo de vida para o residente local continua a ser um desafio para a coesão social e económica.
Perspetivas
Estar no “Top 5” dos países mais caros de África em 2026 reforça a necessidade urgente de políticas públicas voltadas para a segurança alimentar e para o incentivo à produção interna, onde possível. A vulnerabilidade a choques externos continua a ser o “calcanhar de Aquiles” da nossa economia.
Caboverde24.info
Fonte: Business Insider
Imagem: Canva







































