A grave escassez de mão de obra em Cabo Verde representa um desafio crítico e potencialmente perigoso para setores essenciais como a construção civil, hotelaria e restauração, especialmente nas ilhas de Sal, Santiago, Boa Vista e Maio, que são as mais afetadas por esse fenômeno. Essa deficiência de profissionais qualificados ameaça diretamente o desenvolvimento econômico e a competitividade das empresas nessas regiões, colocando em risco investimentos, atrasando projetos estratégicos e comprometendo a qualidade dos serviços prestados.
Nas ilhas mencionadas, a dificuldade de recrutamento se agrava pela fuga de jovens para o exterior e pela insuficiente oferta de formação técnica local, tornando o problema ainda mais urgente e preocupante. Caso não sejam encontradas soluções rápidas e eficazes, o crescimento estimado do PIB de 5,9% para 2025 fica ameaçado, assim como a sustentabilidade dos setores de construção, hotelaria e restauração, que são pilares da economia cabo-verdiana.
Além disso, é altamente anacrônico e contraproducente que, numa época de grave escassez de pessoal, seja implementada a obrigatoriedade da carteira profissional para todo o pessoal que atua na área do turismo. Tal medida pode criar barreiras adicionais à entrada de trabalhadores no setor, agravando ainda mais a falta de mão de obra e dificultando a recuperação e expansão do turismo, um dos principais motores econômicos do país.
Para evitar um colapso maior e mitigar esse cenário crítico, as ações recomendadas incluem:
- Melhorar as condições salariais e laborais para atrair e reter profissionais qualificados, especialmente nas ilhas mais afetadas.
- Investir de forma intensa na formação técnica e profissional, alinhando-a às necessidades reais do mercado.
- Promover parcerias estratégicas entre empresas, instituições de ensino e autoridades públicas para criar um ecossistema de qualificação contínua.
- Avaliar e flexibilizar requisitos como a obrigatoriedade da carteira profissional no setor do turismo, adotando medidas de curto e longo prazo.
- Incentivar a contratação de mão de obra estrangeira oriunda de países da CEDEAO, considerando condições salariais e de trabalho competitivas.
- Implementar políticas públicas para fixação de trabalhadores nas comunidades locais, combatendo o êxodo juvenil e revitalizando as regiões mais vulneráveis.
Se não forem adotadas medidas eficazes, o impacto dessa escassez pode ser devastador, refletindo-se no aumento da vulnerabilidade social e econômica de Cabo Verde, principalmente nas ilhas com maior dependência do turismo e da construção. Assim, é imperativo que o governo, o setor privado e as instituições educacionais trabalhem de forma coordenada para preservar, fortalecer e ampliar os recursos humanos essenciais ao futuro do país.
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