“O ornitólogo holandês que foi a um lixão em busca de uma ave rara desencadeou uma crise sanitária internacional que colocou Cabo Verde sob os holofotes mundiais”
Um birdwatcher apaixonado com um destino trágico
Quem era Leo Schilperoord?
Leo Schilperoord era um ornitólogo holandês de 70 anos, apaixonado por observação de aves, identificado como o provável «paciente zero» no surto de hantavírus ligado ao navio de cruzeiro de expedição MV Hondius. A sua mulher, Mirjam Schilperoord, tinha 69 anos. O casal era experiente em viagens de observação de aves e tinha passado meses a percorrer a América do Sul antes de embarcar no navio a 1 de abril.
A viagem fatal
Do lixão ao navio: como tudo começou
A 27 de março, os Schilperoord visitaram um lixão municipal fora de Ushuaia, na Argentina. O sítio é famoso entre entusiastas da vida selvagem que procuram fotografar o raro caracará de garganta branca, uma espécie documentada por Charles Darwin.
As autoridades argentinas suspeitam que o casal inalou partículas das fezes de ratos-do-arroz pigmeus, conhecidos por transportar a estirpe Andes do hantavírus — a única forma conhecida por se transmitir de humano para humano.
A bordo do MV Hondius: uma morte anunciada
Leo desenvolveu sintomas graves a 6 de abril e morreu a bordo a 11 de abril de 2026. A sua mulher, Mirjam, morreu a 25 de abril num hospital em Joanesburgo.
Cabo Verde no centro da crise
Praia: três dias sob tensão sanitária
O navio atracou em Praia, capital de Cabo Verde, a 3 de maio. Embora estivesse ancorado durante três dias, ninguém desembarcou. Três pessoas com casos suspeitos foram evacuadas do navio por via aérea para tratamento na Europa. As imagens do MV Hondius ao largo de Praia correram o mundo, tornando Cabo Verde num dos palcos desta crise sanitária.
O vírus Andes: o único que passa de pessoa para pessoa
O surto envolve a estirpe Andes, uma variante rara que se pode transmitir entre humanos. Segundo a OMS, oito pessoas ficaram doentes, incluindo as três que morreram. Complicando a situação, passageiros desembarcaram em Santa Helena a 24 de abril sem rastreio formal, antes da ligação ao vírus ser estabelecida.
Caboverde24.info
Fonte: OMS, Newsweek, CBS News, NPR
Nota Editorial: Cabo Verde não registou qualquer caso de hantavírus. A passagem do navio por Praia foi gerida pelas autoridades sanitárias locais com as devidas precauções.























