“Empresários nacionais manifestam preocupação com a perda de mão de obra qualificada e o impacto direto na produtividade das empresas locais”
O recrutamento ativo de trabalhadores cabo-verdianos por empresas em Portugal tornou-se um tema central de preocupação para o setor empresarial em Cabo Verde. Empresários de diversos ramos alertam que a saída constante de mão de obra qualificada e experiente está a criar um vazio operacional que ameaça a estabilidade e o crescimento da economia do arquipélago.
A facilitação de vistos e os acordos de mobilidade no âmbito da CPLP, embora benéficos para a liberdade de movimento dos cidadãos, têm tido um efeito secundário desafiador para o mercado interno. Setores estratégicos como o turismo, a construção civil e os serviços estão a perder os seus melhores quadros para o mercado europeu, onde os salários e as condições de vida são mais atrativos.
Quem é a Confederação das Associações Económicas?
As associações empresariais de Cabo Verde são os pilares que sustentam o diálogo entre os investidores privados e o Governo. Estas instituições representam desde micro-empresas a grandes grupos económicos, focando-se na melhoria do ambiente de negócios, na promoção de parcerias internacionais e na defesa de políticas que garantam a sustentabilidade do emprego local. No contexto atual, estas entidades têm assumido um papel de alerta sobre a necessidade de equilibrar a emigração com a retenção de talentos no país.
O risco da perda de competitividade
A preocupação não se limita apenas à quantidade de pessoas que saem, mas à qualidade do capital humano perdido. Muitos dos trabalhadores que emigram para Portugal receberam formação financiada por empresas locais ou pelo Estado cabo-verdiano. Quando estes profissionais saem, o investimento feito na sua capacitação não gera o retorno esperado para a economia nacional.
Necessidade de estratégias de retenção
Para conter esta tendência, os empresários sugerem que é necessário um esforço conjunto entre o setor privado e o executivo. Isto inclui não apenas a revisão das grelhas salariais — o que é difícil sem um aumento da produtividade — mas também a criação de incentivos fiscais para empresas que invistam na carreira dos seus colaboradores e na melhoria das condições de trabalho gerais.
Além disso, discute-se a importância de uma “migração circular”, onde o trabalhador possa adquirir experiência no estrangeiro mas tenha condições e motivação para regressar e reinvestir o seu conhecimento e capital em Cabo Verde.
Conclusão: Um Equilíbrio Necessário
A liberdade de procurar melhores oportunidades é um direito fundamental, mas para um país insular em desenvolvimento como Cabo Verde, o êxodo massivo representa um desafio estrutural. O diálogo contínuo entre Portugal e Cabo Verde deverá, no futuro, considerar não apenas a facilitação da entrada de trabalhadores, mas também mecanismos que ajudem a compensar ou mitigar o impacto negativo no tecido empresarial cabo-verdiano.
Caboverde24.info
Fonte: Lusa





































