“Escassez de gás butano gera instabilidade e reacções ao mais alto nível do Estado”
A crise no abastecimento de gás butano em Cabo Verde atingiu um ponto crítico nas últimas semanas, afetando severamente ilhas como o Fogo, São Vicente e Boa Vista. O cenário de garrafas vazias e longas filas de espera tornou-se uma constante, levantando questões sobre a segurança energética do país e a eficácia da logística de distribuição entre as ilhas.
Logística e pânico: os motores da escassez
Embora a Agência Reguladora Multissetorial da Economia (ARME) e as operadoras Enacol e Vivo Energy garantam que o stock nacional de gás é suficiente, a realidade nas prateleiras dos revendedores conta uma história diferente. Dois fatores principais explicam esta desconexão:
- Falhas no transporte interilhas: A dependência da Praia como centro de distribuição primário cria gargalos quando os navios de transporte sofrem atrasos ou avarias. A logística de reposição para as ilhas periféricas não tem acompanhado o ritmo do consumo.
- O factor psicológico e o açambarcamento: O receio de um desabastecimento prolongado levou a uma corrida aos postos de venda. Muitos consumidores, por precaução, adquiriram mais garrafas do que o habitual, retirando o produto de circulação para quem realmente necessitava.
As declarações do Presidente da República
Perante o agravamento da situação, o Presidente da República, José Maria Neves, quebrou o silêncio para classificar a falta de gás como “inaceitável”. Numa declaração dirigida à nação, o Chefe de Estado sublinhou que um serviço essencial como o gás não pode estar sujeito a interrupções desta magnitude, que prejudicam diretamente as famílias e a economia local.
O Presidente apelou ao Governo e às instâncias reguladoras para que exerçam um controlo mais rigoroso sobre as petrolíferas e a logística de transporte. José Maria Neves condenou ainda, de forma veemente, a prática de açambarcamento e a venda de gás no “mercado negro” a preços que chegam a triplicar o valor oficial, pedindo mão dura das autoridades policiais e da IGAE contra os especuladores.
Quem é a ARME?
A Agência Reguladora Multissetorial da Economia (ARME) é a entidade pública responsável pela regulação técnica e económica dos setores de energia, água, comunicações e transportes em Cabo Verde. É a ARME que detém a competência de fixar mensalmente os preços máximos dos combustíveis e de garantir que as operadoras cumpram as suas obrigações de serviço público, assegurando que o produto chegue ao consumidor final de forma justa e contínua.
Medidas de mitigação
A Enacol e a Vivo Energy anunciaram o reforço das operações de enchimento e a mobilização de navios adicionais para normalizar o abastecimento nas ilhas mais afetadas. Contudo, a normalização total poderá levar ainda alguns dias até que o fluxo de distribuição recupere o equilíbrio face à procura acumulada.
Caboverde24.info





































