“Daniel Medina considera que o episódio deve servir de alerta para preservar a confiança dos parceiros internacionais, enquanto analisa também os desafios da energia, dos transportes e da diversificação económica.”
Um episódio que merece reflexão
A recente polémica envolvendo o Governo de Cabo Verde, a oposição e o Fundo Monetário Internacional (FMI) poderá ter deixado marcas na imagem internacional do país. A avaliação é do analista político Daniel Medina, em entrevista à RFI, na qual defende que o episódio deve servir de alerta para a importância do rigor institucional e da comunicação com os parceiros internacionais.
Na opinião de Daniel Medina, Cabo Verde construiu ao longo de vários anos uma reputação de estabilidade económica e credibilidade junto de instituições internacionais como o FMI. Essa imagem foi colocada sob pressão depois de declarações do primeiro-ministro, que afirmou que o anterior executivo teria fornecido informações incorretas sobre a execução orçamental. Posteriormente, o próprio FMI esclareceu publicamente que não tinha recebido nem analisado os dados referidos.
Para o analista, embora a relação entre Cabo Verde e o Fundo Monetário Internacional deva continuar sólida, o episódio demonstra a importância de uma comunicação institucional rigorosa quando estão em causa parceiros estratégicos. “Foi um episódio pouco positivo para Cabo Verde”, considera Daniel Medina.
Energia: medidas ajudam, mas desafio continua
Na entrevista, Daniel Medina considera positiva a decisão de prolongar o desconto na tarifa social da eletricidade e as medidas temporárias para limitar o impacto do aumento dos preços. Contudo, entende que estas soluções não eliminam o problema estrutural.
Segundo o analista, enquanto Cabo Verde não aumentar significativamente a produção de energia proveniente de fontes renováveis, continuará dependente da evolução dos preços internacionais dos combustíveis. O Governo mantém como objetivo atingir cerca de 50% de produção elétrica através de energias renováveis, reduzindo a exposição do país às oscilações do mercado energético internacional.
Transportes interilhas e diversificação económica
Outro tema abordado foi a proposta de fixar tarifas máximas para os transportes interilhas. Na opinião de Daniel Medina, a medida poderá facilitar a mobilidade dos cidadãos e estimular a economia nacional, mas será necessário avaliar, após a sua implementação, se o Estado conseguirá suportar financeiramente esse modelo sem comprometer o equilíbrio das contas públicas.
Relativamente ao turismo, o analista considera importante reduzir gradualmente a dependência deste setor, recordando os efeitos provocados pela pandemia. Defende, contudo, que essa diversificação deve complementar — e não substituir — o turismo, continuando a apostar em áreas como:
- Pescas;
- Agricultura;
- Exportação de produtos tropicais;
- Economia azul.
Quem é Daniel Medina?
Daniel Medina é analista político e comentador sobre assuntos de economia, finanças públicas e relações institucionais. É citado regularmente por órgãos de comunicação internacionais na análise da atualidade cabo-verdiana.
Nota editorial
A credibilidade internacional constitui um dos principais ativos de Cabo Verde junto dos investidores, instituições multilaterais e mercados financeiros. Especialistas sublinham que a estabilidade institucional e a confiança dos parceiros internacionais continuam a ser fatores fundamentais para o financiamento do desenvolvimento e o crescimento sustentável do país.
Caboverde24.info
Fonte: RFI (entrevista com Daniel Medina)

























