“Condenado à morte em 1950 por um homicídio que sempre negou ter cometido, Francis Clifford Smith escapou oito vezes da execução e acabou por viver mais de um século.”
Francis Clifford Smith, considerado o recluso que mais tempo passou preso nos Estados Unidos, morreu aos 101 anos, depois de uma história judicial e prisional que atravessou mais de sete décadas.
Smith morreu durante o sono, a 25 de junho, numa instituição de cuidados de longa duração em Rocky Hill, no estado norte-americano do Connecticut, onde vivia desde 2020 sob liberdade condicional supervisionada.
Condenado à morte aos 25 anos
O caso remonta a 1949. Smith foi acusado do assassinato de Grover Hart, um vigia noturno de 68 anos do Indian Harbor Yacht Club, em Greenwich, Connecticut, morto durante um assalto.
Em 1950, aos 25 anos, Smith foi considerado culpado de homicídio e condenado à morte. Ao longo de toda a vida, porém, manteve a versão de que era inocente.
A execução chegou a ser marcada oito vezes. Na oitava e última ocasião, em 1954, Smith teve a cabeça rapada em preparação para a cadeira elétrica e aguardava a execução quando recebeu um novo adiamento. A pena de morte acabaria por ser comutada para prisão perpétua.
Dúvidas sobre a condenação
Ao longo dos anos surgiram elementos que alimentaram dúvidas sobre a condenação. Uma testemunha retirou o depoimento anterior, outro homem que estava preso confessou posteriormente o homicídio e um dos agentes envolvidos na investigação declarou mais tarde não ter certeza de que Smith estivesse sequer presente no local do crime.
Apesar desses elementos, Smith nunca conseguiu obter um novo julgamento e a condenação permaneceu em vigor.
Mais de sete décadas atrás das grades
Smith passou mais de 70 anos efetivamente preso, interrompidos por breves períodos fora da prisão. Em 1967, fugiu e foi recapturado 12 dias depois. Teve ainda uma saída de Natal em 1974 e, no ano seguinte, recebeu liberdade condicional, permanecendo fora da prisão durante cerca de dez meses antes de regressar por violação das condições impostas.
Em 2020, já com 95 anos, recebeu novamente liberdade condicional e passou a viver numa instituição especializada em acolher idosos ligados ao sistema prisional.
Francis Clifford Smith morreu poucos meses antes de completar 102 anos. A sua história ficou marcada não apenas pela extraordinária duração do encarceramento, mas também pelas oito execuções que chegaram a ser marcadas e pelas dúvidas que continuaram a acompanhar o processo pelo qual foi condenado.
Caboverde24.info
Fontes: Boston Globe; Departamento de Correções de Connecticut







































