São Miguel sob vigilância: novos dados confirmam circulação do parasita da esquistossomose

Em 30 segundos

​🧪 13 amostras: o INSP detetou Schistosoma haematobium nas 13 amostras de urina humana submetidas a análise molecular.

​🐌 571 moluscos: foram recolhidos em São Miguel, com presença confirmada em oito dos nove pontos investigados.

​🔬 Investigação contínua: as análises moleculares laboratoriais dos moluscos recolhidos ainda estão em curso.

​⚠️ Leitura prudente: a amostragem não representa a totalidade da população local e não permite definir a taxa global de prevalência da doença.

O que revelou o primeiro boletim

​Novos dados oficiais ajudam a compreender melhor a dinâmica de circulação da esquistossomose em São Miguel, na ilha de Santiago. O Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) publicou o primeiro Boletim de Vigilância Malacológica de Cabo Verde, com resultados de trabalhos de campo realizados em abril e maio deste ano.

​Foram investigados nove pontos do concelho e encontrados moluscos em oito deles, num total de 571 exemplares recolhidos.

​Segundo o INSP, 84,24% pertenciam ao género Bulinus, que inclui espécies com potencial para atuar como hospedeiros intermediários do parasita responsável pela esquistossomose urogenital.

Parasita detetado nas 13 amostras analisadas

​O boletim apresenta também resultados de análises laboratoriais realizadas em amostras biológicas humanas.

​Através da técnica de biologia molecular PCR, foi detetada a presença de Schistosoma haematobium em todas as 13 amostras de urina analisadas, de acordo com os dados divulgados pelo INSP.

​O resultado exige, contudo, uma leitura científica cautelosa. Trata-se de um número restrito de amostras dirigidas, pelo que os dados não permitem inferir a mesma proporção para a população em geral nem calcular uma taxa de prevalência concelhia.

Casos autóctones desde 2022

​O município de São Miguel regista casos autóctones de esquistossomose desde 2022, segundo confirma o Instituto Nacional de Saúde Pública.

​As análises moleculares aos espécimes de moluscos recolhidos prosseguem nos laboratórios de referência, estando igualmente programada uma caracterização genética complementar das amostras positivas.

​O INSP sublinha que as conclusões preliminares reforçam a urgência em manter e expandir a vigilância malacológica, epidemiológica e laboratorial, por forma a travar as cadeias de transmissão e orientar as medidas preventivas no terreno.

​O documento acrescenta, deste modo, evidências técnicas essenciais ao acompanhamento de uma infeção parasitária cuja presença comunitária se encontra sob monitorização contínua na região.

Caboverde24.info

Fonte e foto: Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) — Primeiro Boletim de Vigilância Malacológica de Cabo Verde

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