“A economia cresce e o turismo bate recordes, mas o Banco Mundial identifica nos transportes interilhas um dos principais obstáculos para distribuir melhor as oportunidades pelo arquipélago.”
Em 30 segundos
✈️ O Banco Mundial descreve os serviços aéreos domésticos como escassos, caros e imprevisíveis.
⛴️ No transporte marítimo, aponta frotas envelhecidas, ligações irregulares e problemas nos mecanismos de compensação.
🏨 Sal e Boa Vista concentram cerca de 75% dos quartos disponíveis no país, enquanto a Europa representa 93% das chegadas de turistas.
💼 Melhorar as ligações entre ilhas poderia facilitar negócios, emprego e o acesso dos produtores locais aos principais mercados turísticos.
O problema não é apenas chegar a Cabo Verde
Cabo Verde recebe cada vez mais turistas e terminou 2025 com um crescimento económico de 6,3%. Mas existe um obstáculo interno que, segundo o Banco Mundial, está a impedir que uma parte maior desses benefícios circule pelo arquipélago: as ligações entre as ilhas.
Na Atualização Económica de Cabo Verde 2026, publicada em julho, a instituição dedica especial atenção à conectividade interilhas e ao seu impacto na diversificação da economia.
O diagnóstico é direto.
Os serviços aéreos domésticos são descritos como escassos, dispendiosos e imprevisíveis. No transporte marítimo, fundamental para passageiros e mercadorias, o Banco Mundial aponta frotas envelhecidas, ligações de ferry irregulares e limitações nos mecanismos utilizados para assegurar os serviços.
75% dos quartos estão no Sal e Boa Vista
A questão torna-se ainda mais evidente quando se olha para o turismo.
Sal e Boa Vista concentram cerca de 75% dos quartos disponíveis em Cabo Verde, enquanto 93% das chegadas internacionais de turistas têm origem nos mercados europeus.
Para o Banco Mundial, melhorar as ligações internas poderia ajudar a distribuir uma parte maior dos benefícios do turismo por outras ilhas e aproximar setores como agricultura, pescas e serviços dos principais centros turísticos.
Um produtor instalado numa ilha com ligações limitadas, por exemplo, enfrenta maiores custos e dificuldades para colocar os seus produtos nos mercados onde existe maior procura.
Custos atingem empresas e famílias
O problema da conectividade não se resume à deslocação de passageiros.
Segundo o Banco Mundial, os elevados custos de transporte reduzem as margens de atividades como as pescas e o agronegócio. Tarifas elevadas em relação aos rendimentos representam também um peso para famílias e empresas.
O resultado é um mercado interno mais fragmentado, no qual a ilha onde uma pessoa vive ou uma empresa opera pode condicionar o acesso a clientes, fornecedores, emprego e outras oportunidades económicas.
Melhores ligações poderiam também facilitar a mobilidade dos trabalhadores e ampliar oportunidades para quem vive fora dos principais centros económicos e turísticos.
O que o Banco Mundial propõe
Entre as soluções apresentadas estão contratos para os serviços aéreos e marítimos associados a regras claras e indicadores de desempenho, maior transparência nos mecanismos de compensação e melhores condições para a participação de operadores privados.
O Banco Mundial chama ainda a atenção para a acumulação de diferentes funções do Estado enquanto decisor, regulador, proprietário e financiador, considerando que esta situação pode criar conflitos de interesse, desencorajar o investimento privado e concentrar riscos financeiros.
Num arquipélago, ligar melhor as ilhas não significa apenas transportar passageiros e mercadorias.
Significa também determinar até que ponto o crescimento do turismo, dos negócios e do emprego consegue chegar para além dos principais centros económicos do país.
Caboverde24.info
Fonte: Banco Mundial
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