“Suzana Gramilho tornou-se uma das principais vozes na defesa dos interesses de Cabo Verde e na promoção de uma identidade atlântica integrada, valorizando o papel do arquipélago no conjunto das ilhas da Macaronésia — Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde.”
Natural do Funchal mas profundamente ligada a Cabo Verde, Suzana é Cônsul Honorária deste país na Madeira e Presidente da Associação de Promoção da Macaronésia. Seu percurso académico inclui um mestrado em Ciências da Educação e pós-graduação em Gestão. Ao longo dos anos, destacou-se por ações de aproximação diplomática, comercial, cultural e educativa entre os arquipélagos, sempre buscando fortalecer laços e projetar oportunidades de desenvolvimento coletivo.
O compromisso de Suzana ultrapassa protocolos consulares. Suas iniciativas visam não só promover Cabo Verde como ponto estratégico entre África, Europa e América, mas principalmente criar uma plataforma de cooperação prática entre os arquipélagos macaronésicos. Ela defende que só a união estratégica e organizada permitirá dar visibilidade internacional à Macaronésia, tornando-a um destino turístico e cultural de referência, à semelhança das Caraíbas.
Exemplo desse espírito inovador é o livro infantojuvenil “A Macaronésia trocada por miúdos”. Apresentado no Palácio da Cultura Ildo Lobo, na Praia, a obra introduz crianças cabo-verdianas e de toda a Macaronésia aos encantos culturais, naturais e históricos das ilhas, com ilustrações que representam de modo lúdico e simbólico as dunas de Cabo Verde, os jardins madeirenses, as montanhas dos Açores e os vulcões das Canárias. Suzana quer “levar o conhecimento da Macaronésia às gerações futuras, formar identidade e inspirar pertença”.
Nessa entrevista, na RTC, Suzana Gramilho destaca a campanha solidária “Juntos por Sorrisos”, destinada a apoiar as vítimas da recente tempestade em São Vicente, com especial atenção à recolha de donativos para jovens e crianças afetados pela calamidade. Ela ainda aborda o papel do Consulado Honorário de Cabo Verde na Madeira e a mobilização da comunidade cabo-verdiana para ajudar São Vicente.
Em entrevista, a autora respondeu à recorrente dúvida: Cabo Verde é África ou Macaronésia? Suzana defende que o arquipélago é ambos — africano por localização e raízes, macaronésico por afinidades biogeográficas, biodiversidade e história comum de resiliência às adversidades naturais. Segundo ela, “a insularidade é essência comum do quotidiano macaronésico e a força dos seus habitantes nasce dos desafios impostos pela natureza”.
No campo da diplomacia cultural, Gramilho insiste na criação de estratégias conjuntas para que os quatro arquipélagos participem lado a lado em grandes feiras internacionais, eventos de inovação, educação e cultura, e até mesmo na construção de uma marca turística coletiva, capaz de valorizar sinergias e respeitar as especificidades de cada ilha.
Frente ao tradicional isolamento e ao desconhecimento mútuo, Gramilho lidera uma crociata moderna por um futuro coletivo, defendendo que “a Macaronésia pode ser mais do que um conceito geográfico: pode ser marca de excelência, ponte atlântica de culturas e plataforma de desenvolvimento económico para todos”. Apela a ações concretas dos governos regionais e nacionais para transformar ideias em projetos e projetos em resultados.
Apaixonada pela cultura cabo-verdiana, pela morna e pelas línguas insulares, Suzana Gramilho é também reconhecida pelo trabalho educativo junto das diásporas e pela promoção ativa das tradições, da música e da identidade atlântica.
Com uma visão visionária e inclusiva, Suzana personifica o futuro atlântico de Cabo Verde, colocando o país no centro das grandes dinâmicas regionais e mostrando que a geografia das ilhas é um potencial a ser realizado — com estratégia, união e orgulho das raízes.
Cape Verde24







































