“Na ilha do Sal, principal polo turístico de Cabo Verde, a situação energética tornou-se crítica: recentemente vêm ocorrendo cortes sucessivos de eletricidade, muitas vezes sem qualquer aviso prévio ou comunicação oficial aos cidadãos e empresas. Esta realidade, já recorrente, está comprometendo o dia a dia nas residências, nos pequenos comércios, nos restaurantes e, sobretudo, nas estruturas turísticas que impulsionam a economia nacional”
Os prejuízos causados pelas interrupções
Sal destaca-se como motor econômico do país, recebendo mais de 57% dos turistas que visitam Cabo Verde e contribuindo com cerca de 25% do PIB nacional, graças a uma cadeia de valor turística que envolve milhares de trabalhadores entre hotéis, bares, restaurantes, fornecedores de serviços e atividades de lazer. Os prejuízos causados pelas interrupções afetam diretamente a reputação internacional da ilha: viajantes que escolhem Sal frequentemente se deparam com quartos sem ar-condicionado, serviços paralisados, dificuldades em restaurantes e, nos casos mais graves, riscos à saúde pela ausência de refrigeração ou funcionamento de equipamentos médicos básicos.
O impaco económico e a falta de comunicação
Enquanto isso, cidadãos e empresas seguem enfrentando danos em eletrodomésticos devido aos apagões repentinos e a suspensão temporária de atividades profissionais: equipamentos afetados, muitas vezes caros e essenciais para o trabalho diário, são difíceis de reparar ou substituir, agravando as perdas econômicas e tornando ainda mais incerta a retoma da normalidade. O impacto devastador sobre microempresas e restaurantes é notório: muitos não possuem geradores próprios e, diante dos cortes, precisam interromper o serviço, perdem produtos perecíveis, sofrem prejuízos imediatos e atrasos na volta ao funcionamento regular. Tudo isso prejudica a qualidade da oferta turística e a credibilidade internacional de Cabo Verde como destino seguro e moderno.
Outro fator de frustração é a comunicação: diversos usuários relatam que a EDEC, empresa distribuidora de energia, não atende às chamadas telefônicas e não fornece informações claras ou rápidas sobre a duração ou causas dos apagões, deixando famílias e empreendedores na incerteza operacional.
Residentes, turistas e empresários protestam online
A insatisfação crescente dos habitantes e empresários do Sal vem ganhando voz principalmente nas redes sociais. Nos últimos dias, multiplicaram-se os relatos e desabafos de cidadãos, donos de bares, restaurantes e hotéis, reclamando da falta de comunicação oficial sobre os cortes de eletricidade. Publicações indignadas expõem não só o desconforto provocado pelos apagões, mas também o sentimento de abandono diante da ausência de informação clara, previsões de retorno do serviço ou justificativas plausíveis por parte das autoridades e da EDEC.
Essa mobilização virtual reflete o impacto real vivido no cotidiano — famílias relatando noites sem energia, empresas informando perdas de produtos perecíveis e turistas compartilhando experiências frustrantes durante a estadia na ilha. Muitos questionam como uma situação tão crítica pode se repetir justamente em Sal, principal porta de entrada do turismo nacional e pilar estratégico da economia cabo-verdiana.
Nas plataformas digitais, a cobrança por soluções é intensa: usuários exigem transparência, pedidos de prazos para a normalização e medidas eficazes para garantir estabilidade no fornecimento de energia. Aos olhos do público local e internacional, a recorrência dos apagões compromete não só o bem-estar social, mas também a imagem de Cabo Verde como destino confiável e moderno.
Santiago sem Luz
A crise energética atinge ainda Santiago, a maior e mais populosa ilha do arquipélago: lá, falta de eletricidade gera transtornos diários que já chegaram a níveis de alerta social, com prejuízos para famílias e empresas e muitos protestos de residentes. O contexto geral revela fragilidades na infraestrutura e carências na manutenção, colocando em risco a imagem positiva construída por Cabo Verde nos mercados internacionais nos últimos anos.
Conclusão
Apesar das promessas das autoridades sobre a normalização do serviço, a falta de um fornecimento de energia estável continua a ser uma das principais ameaças ao desenvolvimento turístico, econômico e social da ilha do Sal e de todo o país. É urgente encontrar soluções e investimentos que garantam estabilidade energética, protegendo empresas, saúde pública e a imagem de Cabo Verde.
Cape Verde24
Fonte
Santiago sem luz RTP Portugal
Ine
Forbes
Facebook pagina Edec








































2 Responses
Boa tarde,
Gostaria de entender como pode o Turismo em Cabo Verde só representar 25% do PIB.
O dado é mesmo oficial ou seja do INE
https://www.worldbank.org/pt/country/caboverde/overview?utm_source=perplexity