“Encontramos nas redes sociais uma publicação da associação Sokols 2017 que, em poucas horas, gerou milhares de visualizações, partilhas e comentários. O post traz uma denúncia grave sobre presuntas situações de injustiça, abuso e más condições laborais no Hospital Regional do Sal, envolvendo chefias e profissionais de saúde”
Principais pontos da denúncia
Transporte discriminatório:
Profissionais, sobretudo os que cumprem turnos noturnos, muitas vezes ficam sem transporte após o trabalho. O condutor do veículo oficial escolhe quem levar, deixando outros a regressar a pé, de madrugada e sem segurança. Há ainda relatos de uso do veículo para fins pessoais, nomeadamente o transporte de comida para porcos em vez dos trabalhadores.
Turnos desiguais e injustos:
A denúncia menciona que algumas chefias são escaladas para o turno da noite mas permanecem em casa a dormir, recebendo o subsídio de quem efetivamente está de serviço. Enquanto isso, outros colaboradores trabalham sozinhos, exaustos e assumem grandes responsabilidades, recebendo o mesmo, ou até menos.
Humilhação, desrespeito e desigualdade:
Técnicos e enfermeiras relatam serem tratados como empregados domésticos, alvo de humilhação e falta de respeito. As chefias mantêm posturas autoritárias e desumanas. No local de trabalho, quem está na linha da frente suporta calor intenso e falta de ventilação, enquanto nos gabinetes das chefias o ar condicionado funciona normalmente.
Falta de higiene e cuidado básico:
Há denúncia sobre a máquina de água purificada estar há mais de dois meses sem manutenção nos filtros, colocando em risco a saúde de profissionais e pacientes.
O Vídeo publicado na pagina Facebook Sokols 2017
Profissionais em dificuldade
Medo de falar:
Muitos profissionais temem represálias, transferências ou perseguições, o que dificulta denúncias abertas. Porém, segundo eles, o limite foi ultrapassado.
Apelo ao Ministério da Saúde:
A associação exige investigação urgente e medidas concretas para garantir dignidade, segurança e respeito a todos os profissionais do Hospital Regional do Sal.
Denúncia anónima:
O autor optou pelo anonimato para se proteger de possíveis retaliações no ambiente hospitalar.
Consequências para o turismo e a economia local
Esta denúncia documentada em vídeo — longe de ser um caso isolado — ganha contornos particularmente graves quando contextualizada na realidade socioeconómica da ilha do Sal. Com uma população de aproximadamente 35.000 habitantes e recebendo centenas de milhares de turistas anualmente, o Sal consolidou-se como o principal polo turístico de Cabo Verde, setor que representa cerca de 25% do Produto Interno Bruto nacional.
Neste contexto, irregularidades trabalhistas desta natureza transcendem a dimensão local, podendo comprometer seriamente a reputação internacional do destino e, por consequência, afetar toda a economia nacional. A inação das entidades fiscalizadoras competentes perante uma situação que se arrasta há demasiado tempo é, portanto, insustentável.
Urge uma intervenção firme e célere das autoridades competentes para restabelecer o estado de direito, garantir a dignidade dos trabalhadores e salvaguardar a credibilidade do Sal enquanto destino turístico responsável e sustentável. Só mediante ações concretas e eficazes será possível assegurar um desenvolvimento económico equilibrado que beneficie verdadeiramente a comunidade local, preservando simultaneamente os padrões éticos que devem nortear qualquer projeto de crescimento turístico.
Cape Verde24
Fontes: Página Facebook Sokols 2017
Imagem da capa do artigo aprimorada com IA



































