“Todas as novidades”
Recordamos que a mobilidade aérea em Cabo Verde tem sido um dos temas mais sensíveis da agenda nacional, após períodos de instabilidade e falta de voos regulares que afetaram o turismo e a economia. A criação da LACV (Linhas Aéreas de Cabo Verde) como empresa 100% estatal surge após a necessidade de o Estado retomar o controlo estratégico das ligações entre as ilhas, garantindo que o transporte aéreo seja tratado como um serviço público essencial e não apenas um negócio comercial.
A certificação: O sinal verde que o país esperava
A Agência de Aviação Civil (AAC) entregou formalmente os certificados de operação à LACV, que operará sob a marca comercial CVSky. Este documento é o passo jurídico e técnico final que faltava para que a nova operadora estatal pudesse, efetivamente, colocar as suas aeronaves nos céus de Cabo Verde. Com este selo de aprovação, termina a fase de preparação burocrática e inicia-se a fase operacional, focada na conectividade e na regularidade que os passageiros tanto reclamam.
O que muda na substância?
A entrada da CVSky no mercado não é apenas o surgimento de uma nova operadora; trata-se de uma mudança profunda no modelo de gestão dos transportes em Cabo Verde. Abaixo, detalhamos os três pilares que alteram a realidade atual:
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Reforço de meios: Dois novos ATR: Uma das novidades mais impactantes é o anúncio do processo de aquisição de duas novas aeronaves do tipo ATR. Esta aposta em frota própria e moderna é o que permitirá garantir a fiabilidade da operação e a pontualidade dos voos. Com aviões novos e adequados às nossas pistas, a CVSky reduz a dependência de aeronaves alugadas e aumenta a confiança do passageiro.
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Prioridade ao serviço público (OSP): O Governo está a avançar com a regulamentação das Obrigações de Serviço Público. Na prática, isto significa que o Estado passa a ter o instrumento legal para obrigar a prestação mínima de voos, mesmo em rotas que não sejam lucrativas. O objetivo é claro: garantir que nenhuma ilha fique isolada.
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Soberania e controlo estatal: Sendo uma companhia 100% detida pelo Estado, a CVSky assume um papel estruturante. A prioridade deixa de ser apenas o retorno financeiro imediato e passa a ser a coesão territorial. É o Estado a assegurar que o “mar que nos separa” seja unido por pontes aéreas seguras e constantes.
Impacto territorial e económico
A marca CVSky nasce com a missão de unificar o arquipélago. Para o setor do turismo, isto significa que o visitante poderá circular entre as ilhas com a confiança de que terá voos de regresso, algo que tinha sido abalado recentemente. Para o cidadão nacional, representa o fim do isolamento e a facilitação do comércio, do turismo interno e das urgências de saúde.
Com esta medida, Cabo Verde reafirma o transporte aéreo como uma infraestrutura tão vital como as estradas, apostando numa solução que promete ser mais resiliente e, acima de tudo, inclusiva para todos os cabo-verdianos.
Um desafio à altura do sofrimento dos passageiros
Apesar do otimismo que esta certificação traz, o desafio que a CVSky tem pela frente é imenso. É preciso reconhecer que este último ano foi de grande sofrimento para quem precisa de viajar em Cabo Verde. Os passageiros enfrentaram meses de angústia, marcados por voos constantemente cancelados, atrasos crónicos e uma oferta de lugares manifestamente insuficiente para a procura real do mercado. Recuperar a confiança do público não será imediato; exigirá que a nova operadora estatal demonstre, na prática e no dia a dia, que os tempos de caos ficaram para trás e que a mobilidade inter-ilhas é, finalmente, uma prioridade cumprida.
Cape Verde 24.info
Fonte: Comunicado Ministério do Turismo e Transportes



































