“Falta de efetivos da PSP e novo sistema europeu de fronteiras transformam chegada a Portugal num “teste de resistência” para cabo-verdianos e turistas”
O Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, vive um dos seus períodos mais negros. Sendo o principal nó de ligação para a nossa diáspora, o colapso no controlo de passaportes está a afetar diretamente centenas de cabo-verdianos diariamente, resultando em ligações perdidas e condições desumanas de espera.
“Recordamos que: Desde a extinção do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) em outubro de 2023, a transição para a PSP (Polícia de Segurança Pública) tem sido marcada por críticas sindicais devido à falta de formação específica e de pessoal. Em 2024, Portugal foi advertido pela União Europeia pela lentidão na implementação das novas normas biométricas, um problema que explodiu agora em dezembro de 2025.”
O cenário no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, assemelha-se mais a um campo de refugiados do que a uma moderna porta de entrada europeia. Relatos dramáticos de passageiros descrevem filas que superam as sete horas de espera para o controlo de passaportes.
O que dizem as fontes oficiais
O colapso não é apenas fruto do volume de passageiros, mas de falhas estruturais confirmadas por quem gere a fronteira. Segundo um comunicado oficial do Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SCIF-SEF), o problema reside na gestão:
“A falta de planeamento e o subdimensionamento das equipas da PSP para as novas exigências do controlo biométrico estão a criar um ponto de rotura previsível. Não se pode operar uma fronteira externa da União Europeia com os recursos de há dez anos.”
Por outro lado, a ANA – Aeroportos de Portugal, concessionária gerida pela VINCI, emitiu uma nota de esclarecimento atribuindo as culpas ao sistema central:
“O congestionamento deve-se, em grande parte, à instabilidade dos sistemas informáticos de recolha de dados biométricos da responsabilidade das autoridades europeias, que tem aumentado o tempo médio de processamento por passageiro de 45 segundos para mais de 3 minutos.”
As causas do estrangulamento
Especialistas e fontes sindicais apontam para três fatores críticos:
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O Novo sistema EES (Entry/Exit System): A recolha obrigatória de impressões digitais de todos os cidadãos extra-comunitários (incluindo cabo-verdianos) tornou-se um processo moroso.
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Défice de pessoal: A PSP admite, em relatórios internos, que o contingente de agentes destacados para o aeroporto é 30% inferior ao necessário para o pico do inverno.
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Aumento do tráfego extra-Schengen: Lisboa viu o número de passageiros fora da UE subir drasticamente, mas as infraestruturas físicas de controlo manual permanecem as mesmas de 2018.
O impacto para os cabo-verdianos
Para quem viaja de Cabo Verde, Lisboa é a principal “placa giratória”. O impacto é devastador. Dona Maria Silva, passageira vinda da Praia, relatou ao nosso portal: “Cheguei às 6h da manhã e só saí do aeroporto depois das 13h. Não havia água, as crianças choravam e ninguém nos dizia nada. Perdi o meu comboio para o Porto”.
Esta situação tem levado o Governo de Cabo Verde, através do seu Ministério dos Negócios Estrangeiros, a acompanhar com preocupação o tratamento dado aos seus nacionais em solo português, embora sem uma intervenção diplomática formal até ao momento.
Resposta das autoridades
A Ministra da Administração Interna de Portugal afirmou que está a ser feito um “reforço de emergência“, mas os sindicatos policiais alertam que esse reforço consiste apenas em retirar agentes do policiamento de rua na cidade para os colocar no aeroporto, o que consideram uma “solução de remendo“.
Cape Verde 24.info
Fonte: Ana e SCIF-SEF
Vídeo: Rádio CBN
Imagem: Rede social








































One response
Portugal, onde vivi por 5 anos, tem como máxima, prática, o seguinte:
“Se complicar, por que não fazer mais difícil?”