“Novas restrições de vistos para os EUA atingem adeptos de Cabo Verde e de outras nações africanas”
Desde agosto de 2025, o Departamento de Estado norte-americano implementou um programa piloto de garantias financeiras (“Visa Bond Pilot Program”). Esta medida exige que cidadãos de países com taxas elevadas de permanência ilegal depositem uma caução reembolsável para obter o visto de turista B-1/B-2. Recordamos que esta política surge num momento de grande rigor migratório, coincidindo com a preparação para o Mundial de Futebol de 2026, coorganizado pelos EUA, Canadá e México.
O sonho de ver a nossa “Tubarões Azuis” brilhar ou simplesmente viver a atmosfera de um Mundial de futebol em solo americano está a tornar-se uma barreira financeira quase intransponível. Para muitos cabo-verdianos, a viagem até aos estádios dos EUA já não depende apenas do preço das passagens ou dos bilhetes dos jogos, mas sim de uma exigência burocrática pesada: a Visa Bond, uma caução que pode chegar aos 15.000 dólares.
O que é a Visa Bond e como afeta os cabo-verdianos?
Cabo Verde consta na lista de países cujos cidadãos podem ser solicitados a prestar uma garantia financeira para obter o visto. Durante a entrevista no consulado, o oficial tem a autoridade de exigir um depósito que varia geralmente entre 5.000, 10.000 e 15.000 dólares.
Esta quantia é depositada numa conta do governo dos EUA e só é devolvida após o viajante regressar a Cabo Verde e provar que cumpriu os prazos do visto. Para a realidade económica de muitas famílias no arquipélago, este valor é proibitivo, transformando o apoio à seleção num privilégio acessível a muito poucos.
Previsões: Entre o “FIFA Pass” e a realidade financeira
Embora tenha sido anunciado o sistema “FIFA Pass” para agilizar as marcações consulares de quem já possui bilhetes para os jogos, a barreira financeira da caução permanece.
- Impacto no fluxo de adeptos: Prevemos uma redução drástica na diáspora e nos residentes que planeavam viajar diretamente de Cabo Verde.
- Custos adicionais: Além da caução, os requerentes devem pagar a taxa padrão do visto (185 USD) e a nova “Taxa de Integridade de Visto”.
- Risco de exclusão: Mesmo que o adepto tenha a capacidade de mobilizar os 15 mil dólares, o visto não é garantido.
Outros países qualificados com o mesmo problema
Cabo Verde não está sozinho neste desafio. Até ao momento, outras nações africanas que já garantiram a sua presença no Mundial de 2026 ou que lideram os seus grupos de qualificação enfrentam restrições semelhantes:
Senegal e Costa do Marfim: Ambas as potências do futebol africano já estão qualificadas. Os seus adeptos enfrentarão as mesmas exigências de caução, o que poderá resultar em estádios com menos apoio africano do que o esperado.
Nigéria: Com a qualificação praticamente assegurada, os adeptos das “Super Eagles” também estão sob o radar deste programa piloto.
Angola: Os nossos irmãos angolanos, também com uma forte probabilidade de qualificação e uma vasta comunidade interessada no Mundial, enfrentam exatamente o mesmo obstáculo
Uma festa limitada pelo passaporte
Enquanto adeptos de países europeus ou asiáticos com isenção de visto (como o sistema ESTA) viajam com custos mínimos, o adepto cabo-verdiano e de outros países da CEDEAO enfrenta uma desigualdade sem precedentes. O Mundial 2026, que deveria ser a “festa do povo”, corre o risco de ser lembrado como o torneio onde o apoio das bancadas foi filtrado pelo saldo bancário dos seus visitantes.
Cape Verde 24.info
Fonte: U.S. Department of State: Visa Bond Pilot Program – Temporary Final Rule







































