“Nova medida do governo americano impõe barreira financeira e impacta adeptos da Copa do Mundo 2026”
O Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou a expansão de um programa rigoroso que exige um depósito financeiro, sob forma de caução, para a concessão de vistos de visitantes (B1/B2). Com a atualização de abril de 2026, a lista agora abrange 50 nações, incluindo vários países da CPLP. Cabo Verde, que já figurava nesta lista desde o início do ano, vê agora a companhia de outros parceiros africanos e asiáticos nesta restrição económica que visa endurecer o controlo de fronteiras.
O objetivo da administração americana é criar uma barreira financeira para cidadãos de países que historicamente apresentam altas taxas de “overstay” — termo utilizado quando o visitante permanece nos EUA após o vencimento do visto. O valor de 15 mil dólares (cerca de 1,5 milhão de escudos cabo-verdianos) é o teto máximo da caução, que pode variar conforme a análise de risco de cada requerente feita pelo oficial consular.
O funcionamento do depósito reembolsável
A lógica do sistema é simples, embora onerosa: o viajante deposita o valor através de um sistema eletrónico oficial antes da emissão do visto. Se o cidadão sair dos Estados Unidos dentro do prazo estipulado no seu formulário de entrada (I-94), o montante é devolvido integralmente. Caso o indivíduo permaneça ilegalmente ou viole as condições do visto, o governo americano confisca o dinheiro para custear futuras operações de fiscalização e deportação.
Resumo das novas exigências de visto
Quem é o Departamento de Estado?
O Departamento de Estado dos Estados Unidos (Department of State) é o equivalente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros em outros países. É a instituição responsável pela política externa da nação e pela gestão das embaixadas e consulados ao redor do mundo. É este órgão que define as políticas de vistos e decide quais países representam um “risco migratório”, baseando-se em dados anuais de entradas e saídas.
Impacto direto em Cabo Verde, Diáspora e Copa do Mundo
Para os cabo-verdianos, a medida representa um desafio logístico e financeiro sem precedentes, especialmente para a nossa vasta Diáspora. Muitas famílias que planeavam reencontros em solo americano ou visitas a parentes residentes nos EUA enfrentam agora uma barreira de quase 1,5 milhão de escudos por pessoa. Este cenário torna-se ainda mais crítico com a proximidade da Copa do Mundo 2026, que será sediada nos EUA, Canadá e México. Embora a FIFA e o governo americano tenham anunciado facilidades como o “FIFA PASS” para agilizar entrevistas, a exigência da caução de 15 mil dólares para cidadãos de países na lista — onde Cabo Verde está incluído — funciona como um filtro económico que pode excluir milhares de adeptos do arquipélago. O impacto estende-se também aos emigrantes cabo-verdianos residentes em países terceiros que, ao viajarem com passaporte nacional, ficam sujeitos a esta garantia bancária, tornando o sonho de assistir ao Mundial ou visitar a família um privilégio acessível a poucos.
Críticos da medida afirmam que ela penaliza viajantes legítimos que não possuem liquidez financeira imediata, enquanto o governo americano defende que a medida é necessária para manter a integridade do sistema de fronteiras e reduzir os custos públicos com a imigração ilegal.
Caboverde24.info
Fonte: Departamento de Estado dos EUA / Agência Reuters







































