Partiu uma das maiores referências de resiliência da nossa comunidade; Cabo Verde presta homenagem à “Guerreira do Mar”
Recordamos que Marjorie Mariano foi uma pioneira no surfe feminino brasileiro, radicada no Havaí há mais de 20 anos, onde se tornou uma figura respeitada no temido North Shore de Oahu. A sua história tornou-se globalmente conhecida em 2018, quando sobreviveu a um ataque severo de um tubarão-tigre. Marjorie não apenas recuperou a mobilidade, como voltou a surfar, transformando o trauma em uma mensagem de perdão e preservação marinha. Nos últimos meses, a comunidade do surfe em todo o espaço lusófono — de Portugal a Cabo Verde — uniu-se em correntes de solidariedade para apoiar o seu tratamento contra um tumor cerebral agressivo, diagnosticado recentemente.
O adeus a uma lenda de coragem
O mundo do surfe acordou mais triste com a notícia da partida de Marjorie Mariano. A atleta, que personificava o espírito “Aloha” e a força da mulher lusófona nas ondas, faleceu após uma batalha heróica contra o cancro. Para nós, em Cabo Verde, onde o mar é o nosso horizonte diário e o surfe uma paixão crescente entre os nossos jovens, Marjorie deixa muito mais do que memórias de competições; deixa um manual de como enfrentar as tempestades da vida com dignidade.
Uma trajetória de fé e sal
Marjorie Mariano não era uma surfista comum. Nascida no Brasil, ela escolheu as águas desafiadoras do Havaí para testar os seus limites. No auge da sua forma, enfrentou o maior medo de qualquer surfista: um encontro direto com um tubarão-tigre. O incidente, que poderia ter terminado em tragédia definitiva ou em revolta contra o oceano, revelou a essência de Marjorie. Ela voltou ao mar, defendeu a ecologia marinha e provou que o medo é apenas uma barreira a ser superada.
Essa resiliência ressoou profundamente nas nossas ilhas. Em Cabo Verde, o surfe tem sido uma ferramenta de inclusão social e de afirmação de identidade. Ver uma mulher lusófona conquistar o seu espaço entre os melhores do mundo, enfrentando adversidades físicas e de saúde com um sorriso no rosto, serviu de combustível para muitas das nossas jovens promessas nas ondas do Sal, da Boa Vista e de São Vicente.
A corrente de solidariedade em Cabo Verde e no mundo
Nos últimos meses, acompanhamos de perto a luta de Marjorie contra o tumor cerebral. As redes sociais foram inundadas por mensagens de apoio vindas de todos os cantos onde se fala português. A comunidade de surfe em Cabo Verde, conhecida pela sua união e pelo espírito de “morabeza”, participou ativamente nas correntes de oração e na divulgação das campanhas de apoio à atleta.
Marjorie sentiu esse carinho. Mesmo nos momentos mais difíceis, ela partilhava mensagens de gratidão, mostrando que a língua portuguesa e a paixão pelo mar criam laços que nem a distância nem a doença podem quebrar. Ela era uma de nós, uma cidadã do oceano que falava a nossa língua e compreendia a alma das ilhas.
O legado para as futuras gerações
A partida de Marjorie Mariano deixa um vazio imenso, especialmente para o surfe feminino. No entanto, o seu legado é uma herança preciosa. Ela ensinou-nos que o surfe é muito mais do que deslizar sobre a água; é uma filosofia de resistência. Ela mostrou que, mesmo quando o corpo falha ou a natureza nos desafia, a mente pode permanecer livre e resiliente.
Em Cabo Verde, as nossas ondas continuarão a quebrar, e em cada sessão de surfe ao pôr do sol, haverá um pouco do espírito de Marjorie. Ela ensinou os nossos jovens que é possível cair, ser ferido pela vida, mas levantar-se e remar de volta para o line-up.
Hoje, as bandeiras do surfe estão a meia-haste. Marjorie Mariano partiu para o seu “eterno mar”, mas a sua história continuará a ser contada nas nossas praias, inspirando todos aqueles que olham para o Atlântico com respeito e admiração. Descansa em paz, guerreira. As tuas ondas serão eternas.
Cape Verde 24.info
Fonte: Waves (Portal especializado em surfe)



































