“Um novo relatório do think tank Ember revela que a energia solar está a tornar-se uma força dominante no continente, com Cabo Verde a posicionar-se entre os líderes desta revolução verde”
A África está a viver um momento decisivo na sua história energética. Segundo dados recentes divulgados pelo portal TchadInfos e baseados em estudos do think tank global de energia Ember, treze países do continente africano ultrapassaram a barreira simbólica e crucial de obter mais de 10% da sua eletricidade a partir da energia solar. Este marco não é apenas uma estatística; é a prova de que a transição para fontes renováveis está a acelerar a um ritmo sem precedentes, desafiando a dependência histórica de combustíveis fósseis.
Entre este grupo de elite de nações que lideram o caminho para a sustentabilidade, destaca-se o arquipélago de Cabo Verde, confirmando o seu compromisso estratégico com a independência energética e a economia verde.
Quem é a Ember?
Para compreender a relevância destes dados, é importante contextualizar a fonte. A Ember é um think tank (centro de reflexão e pesquisa) independente, especializado em clima e energia. A organização dedica-se a recolher e analisar dados sobre o setor elétrico mundial, com o objetivo de promover a transição do carvão e do gás para energias limpas. Os seus relatórios, como o Global Electricity Review, são amplamente respeitados por governos e instituições internacionais pela sua precisão e pela defesa de um sistema elétrico sustentável, seguro e acessível para todos.
O Clube dos 10%: A ascensão solar em África
Historicamente, a África foi vista como o continente com o maior potencial solar do mundo, mas com a menor capacidade instalada. No entanto, o cenário mudou drasticamente. A redução nos custos da tecnologia fotovoltaica e o investimento em infraestruturas permitiram que vários países dessem um salto tecnológico.
O relatório destaca que a energia solar é agora a fonte de eletricidade que mais cresce globalmente e África não é exceção. O facto de 13 países já dependerem do sol para mais de uma décima parte da sua eletricidade demonstra que a “solução solar” não é apenas teórica, mas uma realidade prática que alimenta indústrias, casas e serviços essenciais. Além de grandes produtores como a África do Sul, que enfrenta desafios energéticos significativos com o carvão, nações insulares e países com redes menores encontraram no sol uma resposta rápida e eficaz para a estabilidade da rede.
Resumo da liderança solar em África
O papel de Cabo Verde na vanguarda
A inclusão de Cabo Verde nesta lista de 13 países é um reconhecimento das políticas energéticas implementadas ao longo da última década. Sendo um Pequeno Estado Insular em Desenvolvimento (SIDS), Cabo Verde enfrenta desafios únicos, como o elevado custo da importação de combustíveis e a vulnerabilidade às alterações climáticas.
A aposta no sol (e no vento) não é apenas uma questão ambiental para o arquipélago, mas uma necessidade de sobrevivência económica. Ao atingir e ultrapassar a marca dos 10% de eletricidade gerada por via solar, Cabo Verde reduz a fatura energética nacional e aumenta a sua resiliência. Projetos recentes em ilhas como Santiago e Sal têm sido fundamentais para este número, integrando cada vez mais renováveis na rede nacional, com metas ambiciosas de ultrapassar os 50% de penetração de renováveis num futuro próximo.
Desafios e o caminho a seguir
Apesar do otimismo, o relatório e os especialistas alertam que o crescimento traz desafios. A intermitência da energia solar exige investimentos robustos em armazenamento de energia (baterias) e na modernização das redes de distribuição para garantir que a eletricidade esteja disponível mesmo quando o sol se põe.
Para os 13 países líderes, o próximo passo é escalar. O sucesso destes pioneiros serve de modelo para o resto do continente, provando que é possível dissociar o crescimento económico das emissões de carbono, aproveitando o recurso mais abundante de África: a luz solar.
Caboverde24.info
Fonte: TchadInfos / Relatório Ember





































