O que é a “mpox” e porque Cabo Verde está atento ao surto na Guiné-Bissau

Em 30 segundos

  • 🦠 A mpox é uma doença viral transmitida sobretudo através de contacto próximo com uma pessoa infetada.

  • 🇬🇼 Até 23 de agosto, a Guiné-Bissau tinha registado 58 casos suspeitos, dos quais 10 confirmados, sem mortes.

  • ⚠️ A Organização Mundial da Saúde considera que a transmissão comunitária permanece ativa no país.

  • 🇨🇻 Cabo Verde reforçou a vigilância nos principais pontos de entrada internacionais e está a atualizar o plano de contingência.

  • 👀 O reforço é preventivo: não significa que exista atualmente um surto de mpox em Cabo Verde.

O surto de mpox na Guiné-Bissau colocou as autoridades sanitárias cabo-verdianas em estado de maior atenção. Mas o que é exatamente esta doença e por que razão um surto num país da África Ocidental leva Cabo Verde a reforçar a sua preparação?

A resposta está sobretudo na prevenção.

O que é a mpox?

Mpox é o nome atualmente utilizado para a doença anteriormente conhecida como “varíola dos macacos”. É uma doença viral causada pelo vírus monkeypox.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pode transmitir-se através do contacto próximo com uma pessoa infetada, com materiais contaminados ou com animais infetados.

Entre os sintomas mais comuns encontram-se erupções ou lesões na pele ou nas mucosas, febre, dores de cabeça, dores musculares, dores nas costas, falta de energia e aumento dos gânglios linfáticos.

As lesões podem durar entre duas e quatro semanas. Embora muitas pessoas recuperem, a doença pode provocar complicações e requer atenção especial em grupos mais vulneráveis.

O que está a acontecer na Guiné-Bissau?

A situação merece particular atenção porque este é o primeiro surto de mpox registado na Guiné-Bissau.

O primeiro caso foi notificado em 26 de junho de 2026. Dados atualizados pela OMS mostram que, até 23 de agosto, o país tinha registado 58 casos suspeitos, dos quais 10 foram confirmados, sem qualquer morte.

Três dos casos confirmados surgiram apenas durante a última semana epidemiológica analisada.

A OMS afirma que a transmissão comunitária permanece ativa, apesar de ter sido observada uma redução recente no número de casos suspeitos. As autoridades guineenses estão, por isso, a intensificar a procura ativa de casos e o acompanhamento dos contactos, com apoio técnico da OMS.

A presença da doença entre crianças também merece atenção. Dados divulgados anteriormente pela UNICEF mostravam que metade dos 46 casos então classificados como suspeitos envolvia menores de 15 anos. A organização alertou igualmente para fragilidades no sistema de vigilância sanitária, que podem dificultar a identificação de todos os casos.

E por que Cabo Verde está atento?

A circulação de pessoas na região justifica que as autoridades acompanhem a evolução do surto e preparem antecipadamente os mecanismos necessários para responder a um eventual caso suspeito.

A presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Maria da Luz Lima, explicou que Cabo Verde dispõe há mais de um ano de um plano de contingência para a mpox, atualizado de acordo com as novas informações e orientações das autoridades sanitárias internacionais.

O objetivo é garantir capacidade para identificar rapidamente um eventual caso suspeito, realizar o diagnóstico e aplicar as medidas de saúde pública necessárias.

Cabo Verde dispõe também de capacidade para realizar testes de biologia molecular e de uma estrutura permanente para a gestão de emergências de saúde pública.

Onde está a ser feita a vigilância?

Um dos pontos importantes da estratégia está nas entradas internacionais do arquipélago.

Segundo o INSP, Praia, São Vicente, Boa Vista e Sal constituem os quatro principais pontos de entrada internacionais abrangidos pelos mecanismos de vigilância.

Um eventual caso suspeito pode ser identificado através da combinação de sintomas com um vínculo epidemiológico — por exemplo, uma pessoa que apresente sintomas e tenha estado recentemente na Guiné-Bissau ou noutro país afetado. Nessas situações são acionados os procedimentos previstos para realização de exames e diagnóstico.

O que significa “comunicação de risco”?

É uma expressão que pode parecer técnica, mas o conceito é simples.

A comunicação de risco consiste em transmitir à população e aos profissionais de saúde informação clara sobre a doença, os riscos existentes, as formas de prevenção e aquilo que deve ser feito perante um possível caso.

O INSP está precisamente a reforçar esta componente, juntamente com a articulação entre as diferentes estruturas de saúde.

Reforçar a vigilância não significa que exista um surto em Cabo Verde

Este é um ponto fundamental.

O reforço anunciado pelas autoridades cabo-verdianas deve ser entendido como uma medida de preparação e prevenção perante a evolução epidemiológica na região, e não como indicação de que esteja em curso um surto no arquipélago.

A preparação permite que um eventual caso seja identificado e investigado rapidamente, reduzindo o risco de transmissão.

Para a população, conhecer os sintomas e procurar assistência de saúde perante sinais suspeitos continua a ser uma das formas mais importantes de permitir uma deteção precoce.

Com a transmissão ainda ativa na Guiné-Bissau, Cabo Verde procura, assim, antecipar-se ao problema: vigiar, informar e estar preparado antes que um eventual caso atravesse as suas fronteiras.

Cape Verde 24.info

Fontes: Organização Mundial da Saúde (OMS); Instituto Nacional de Saúde Pública de Cabo Verde/Inforpress; UNICEF.

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