“Passageiros diminuíram 10,6%, mas os autocarros percorreram menos 28,4% de quilómetros. Os números sugerem que a história vai além de uma simples quebra da procura.”
Em 30 segundos
- 🚌 Os autocarros urbanos transportaram 5,43 milhões de passageiros no segundo trimestre de 2026, menos 646.921 do que um ano antes.
- 📉 Os passageiros diminuíram 10,6%, mas os quilómetros percorridos pelos autocarros caíram muito mais: 28,4%.
- 💺 Os lugares oferecidos recuaram 24,9% e as horas trabalhadas 15,7%.
- 🔎 Os dados mostram uma redução da atividade superior à queda dos passageiros. A questão que fica é: o que explica esta diferença?
Os números por trás da quebra
Os autocarros urbanos transportaram menos 646.921 passageiros no segundo trimestre de 2026 do que no mesmo período do ano passado. Mas há outros números que ajudam a olhar para esta queda de forma diferente.
Segundo as Estatísticas dos Transportes do Instituto Nacional de Estatística (INE), entre abril e junho foram transportados 5.430.922 passageiros, menos 10,6% em termos homólogos.
No mesmo período, porém, os autocarros percorreram menos 28,4% de quilómetros e o número de lugares oferecidos caiu 24,9%.
A atividade caiu mais do que os passageiros
Esta diferença é importante.
Se os passageiros diminuíram 10,6%, enquanto os quilómetros percorridos recuaram 28,4%, os dados não permitem concluir simplesmente que os cabo-verdianos estejam a abandonar o transporte público.
Mostram, isso sim, que a atividade dos autocarros diminuiu proporcionalmente muito mais do que o número de passageiros transportados.
As horas trabalhadas também recuaram 15,7%, para 107.191 horas — menos 19.906 horas do que no mesmo trimestre de 2025.
E há um indicador particularmente interessante: apesar de terem sido transportadas menos pessoas, o número de passageiros por quilómetro aumentou 23,8%, atingindo 38,9.
Ou seja: houve menos passageiros no total, mas a utilização por quilómetro percorrido aumentou.
O que está por trás destes números?
As estatísticas não permitem, por si só, determinar as causas.
Alterações na operação, horários ou percursos, disponibilidade de viaturas, mudanças nos hábitos de mobilidade ou outros fatores poderão contribuir para explicar a evolução.
Sem informação adicional das operadoras, seria prematuro atribuir a queda a uma causa específica.
O que os números mostram com clareza é outra coisa: a atividade e os lugares oferecidos diminuíram proporcionalmente muito mais do que o número de passageiros. O que ainda falta saber é porquê.
Dados abrangem Santiago e São Vicente
Há ainda uma precisão importante para interpretar estes números. As estatísticas do transporte coletivo urbano regular por autocarro consideradas pelo INE abrangem Santiago e São Vicente.
Os próximos trimestres permitirão perceber se esta forte redução da atividade foi pontual ou se poderá estar a revelar uma tendência mais prolongada no transporte coletivo urbano.
Para quem depende diariamente do autocarro, porém, fica desde já uma pergunta importante: o que explica uma redução tão acentuada da atividade num serviço essencial à mobilidade de milhares de pessoas?
Caboverde24.info
Fontes: Instituto Nacional de Estatística (INE) — Estatísticas dos Transportes, 2.º trimestre de 2026.































