“Decisão afasta Dina Ferreira e aponta falhas editoriais e operacionais. Caboverde24.info verificou a documentação oficial disponível sobre alguns dos episódios citados.”
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📺 O Conselho de Administração da Rádio Televisão Cabo-verdiana decidiu esta segunda-feira, 7 de setembro, destituir a direção da Televisão de Cabo Verde, liderada por Dina Ferreira.
📑 A deliberação invoca “diversas falhas e situações de insuficiente coordenação, supervisão editorial e operacional”.
🔎 Entre os casos apontados estão a peça sobre Gilson Alves, a resposta jornalística ao acidente no Fogo e conteúdos emitidos no espaço infantil. Parte destes episódios consta de processos oficiais da entidade reguladora.
O Conselho de Administração da Rádio Televisão Cabo-verdiana decidiu esta segunda-feira destituir a direção da Televisão de Cabo Verde, liderada pela jornalista Dina Ferreira.
A deliberação, assinada por Karine Miranda, Humberto Santos e Victor Varela, fundamenta a decisão em “diversas falhas e situações de insuficiente coordenação, supervisão editorial e operacional”, segundo o conteúdo do documento divulgado pelo Santiago Magazine.
Entre os episódios invocados está a reportagem “Gilson Alves apresentou a sua candidatura e diz que se for eleito vai ser um presidente autoritário”, transmitida no Jornal da Noite de 16 de fevereiro.
Caso Gilson Alves tem registo oficial
Caboverde24.info verificou que o episódio deu efetivamente origem a um procedimento da Autoridade Reguladora para a Comunicação Social.
Em 17 de fevereiro, um dia depois da emissão, o regulador abriu um processo de averiguação à TCV. Em abril, foi aprovada a respetiva deliberação, referente a uma peça informativa com teor considerado suscetível de incitamento ao ódio e de subversão da ordem democrática.
Segundo a deliberação do Conselho de Administração citada pelo Santiago Magazine, o caso terá resultado numa coima de 875 mil escudos à RTC. Caboverde24.info não localizou, na documentação pública consultada, a decisão integral que permita confirmar de forma independente esse montante.
Conselho de Administração critica resposta ao acidente no Fogo
A cobertura do trágico acidente ocorrido no sábado na ilha do Fogo surge igualmente entre as justificações.
Segundo o documento divulgado, o Conselho de Administração considera que “a TCV não assegurou a resposta jornalística célere que seria exigível a uma televisão pública”.
Trata-se de uma avaliação do Conselho de Administração sobre a rapidez da resposta jornalística. A TCV realizou posteriormente cobertura a partir do Fogo, incluindo intervenções em direto e reportagens sobre a tragédia.
Conteúdos para menores também entram no processo
A administração refere ainda queixas relacionadas com a alegada emissão de conteúdos inadequados para menores no espaço infantil.
Também neste ponto existe um processo oficial. Em 2 de setembro, a Autoridade Reguladora para a Comunicação Social deliberou sobre a transmissão da série “Hazbin Hotel” no espaço de programação infantil da TCV, na sequência de questões relacionadas com a adequação dos conteúdos.
Na mesma data, o regulador apreciou ainda uma queixa apresentada pelo próprio Conselho de Administração da RTC contra a TCV por alegada violação dos deveres de isenção, rigor, objetividade, pluralidade informativa e contraditório.
Uma relação marcada por divergências
A decisão desta segunda-feira surge depois de um período de tensão entre Dina Ferreira e o Conselho de Administração.
Em 2025, a diretora foi alvo de um processo disciplinar e suspensa por 45 dias sem remuneração. A relação entre administração e direção editorial chegou igualmente à Autoridade Reguladora para a Comunicação Social, que se pronunciou sobre os limites das competências do Conselho de Administração e a autonomia editorial da televisão pública.
A RTC viria também a ser sancionada em 350 mil escudos num processo relacionado com ingerência e violação da autonomia editorial da TCV.
Este histórico mostra que a destituição não surge num vazio institucional. Não permite, contudo, concluir que se trate de um “acertar de contas”, interpretação referida nos bastidores e para a qual não existe, até ao momento, prova documental conhecida.
Com a saída de Dina Ferreira, abre-se agora uma nova etapa na direção da televisão pública cabo-verdiana.
Caboverde24.info
Fontes: Autoridade Reguladora para a Comunicação Social; Rádio Televisão Cabo-verdiana; Santiago Magazine; Inforpress.

























