“Filho de cabo-verdianos, construiu em França um percurso fora do comum, sem formação numa escola de cozinha. Hoje é sócio do Cheval d’Or, restaurante distinguido pelo guia Fooding, e mantém Cabo Verde presente na sua identidade e na sua cozinha.”
Em 30 segundos
🇨🇻 Luís Andrade nasceu em Loures, Portugal, numa família cabo-verdiana, e afirma sentir-se cabo-verdiano.
👷 Antes da cozinha profissional, passou pela construção civil em França.
👨🍳 O seu percurso levou-o por restaurantes conceituados como Au Passage, Clown Bar e Fripon, antes de integrar o projeto Cheval d’Or.
🏆 O Cheval d’Or recebeu do guia Fooding a distinção “Meilleure régalade” 2024.
🍲 Cabo Verde continua presente na sua cozinha: quando encontra os ingredientes adequados, Andrade prepara a sua própria interpretação da cachupa.
Um percurso construído fora das escolas de cozinha
A história de Luís Andrade na gastronomia parisiense não começou numa escola especializada.
Nascido em Loures, Portugal, numa família de origem cabo-verdiana, mudou-se para França e passou pela construção civil antes de construir uma carreira sólida no setor da restauração.
Numa entrevista publicada esta quarta-feira pela BANTUMEN, Andrade recorda esse percurso e explica como foi aprendendo diretamente na prática dentro das cozinhas por onde passou.
Sem seguir a formação académica tradicional da maioria dos chefs de renome, foi acumulando experiências até se afirmar em alguns dos espaços mais dinâmicos da cena gastronómica parisiense.
Do Au Passage ao Clown Bar
Entre as etapas fundamentais do seu percurso profissional destacam-se passagens pelo Au Passage e pelo Clown Bar, onde assumiu responsabilidades na cozinha após a saída do chef japonês Sota Atsumi.
Mais tarde, esteve igualmente envolvido no projeto gastronómico Fripon.
A sua passagem pelo Clown Bar conferiu-lhe particular notoriedade na capital francesa. Diversas publicações especializadas destacaram o trabalho de Luís Andrade e a forma pessoal como imprimiu a sua própria identidade técnica e criativa às propostas do restaurante.
Uma nova etapa no Cheval d’Or
Em 2023, Luís Andrade integrou a equipa que relançou o Cheval d’Or, no emblemático bairro parisiense de Belleville.
O projeto reúne Andrade, Hanz Gueco, Crislaine Medina e Nadim Smair, combinando referências da bistronomia francesa e técnicas asiáticas numa casa com forte tradição no bairro.
A nova fase do espaço não tardou a recolher elogios da crítica especializada:
- O guia gastronómico Le Fooding distinguiu o Cheval d’Or com o prémio “Meilleure régalade” na sua edição de 2024;
- A distinção premiou conjuntamente os quatro sócios à frente do empreendimento;
- O restaurante mantém-se como uma das referências recomendadas pelo Fooding em Paris, destacando a dupla de cozinha formada por Andrade e Gueco.
Cabo Verde na identidade e na pele
A ligação de Luís Andrade a Cabo Verde ultrapassa em larga medida a herança familiar.
Na conversa com a BANTUMEN, o chef expressa de forma inequívoca o seu sentimento de pertença: “Eu sinto-me cabo-verdiano.”
Existe também um detalhe pessoal marcante que simboliza essa ligação às raízes arquipelágicas.
Andrade traz gravada na perna uma tatuagem com a inscrição “Disgadja Nova Lei”. Em declarações anteriores à imprensa francesa, explicou que “disgadja” evoca no crioulo cabo-verdiano a figura da pessoa engenhosa, destemida e com determinação para superar adversidades e abrir os seus próprios horizontes.
Para o profissional, a expressão traduz a trajetória de superação que o conduziu das obras à liderança criativa nas cozinhas de Paris.
E há também cachupa
A identidade cabo-verdiana reflete-se com igual força na sua culinária.
Andrade revelou que, sempre que encontra no mercado local grãos frescos de milho e feijão de qualidade, prepara a sua própria versão de autor da cachupa.
É essa a criação culinária que elege quando é questionado sobre o prato que melhor traduz a sua identidade cultural e a sua trajetória de vida.
Trata-se de um vínculo genuíno numa biografia moldada entre diferentes realidades geográficas: nasceu em território português, firmou-se profissionalmente em França e preserva Cabo Verde como o pilar estruturante da sua criação e da sua história.
Caboverde24.info
Fonte e foto: BANTUMEN —



















