Gonzalo no Atlântico: velejadores enfrentaram ondas de cinco metros e ventos de quase 100 km/h junto a Cabo Verde

​Em 30 segundos

​⛵ Parte da frota da Golden Globe Race encontrou Gonzalo nas proximidades de Cabo Verde.

​🌊 A organização previa ondas até cinco metros e rajadas que poderiam atingir 55 nós — cerca de 102 km/h.

​💨 Um dos concorrentes relatou depois ventos de 50 nós — aproximadamente 93 km/h — e perda de equipamento.

​🧭 A prova é disputada em solitário e limita fortemente o uso da tecnologia moderna, seguindo princípios inspirados na histórica regata de 1968.

​A outra história de Gonzalo aconteceu no mar

​Enquanto Cabo Verde acompanhava chuva, inundações e forte agitação marítima provocadas por Gonzalo, outra história desenrolava-se no Atlântico.

​Parte da frota da Golden Globe Race, uma das mais singulares regatas oceânicas do mundo, encontrava-se na região quando o sistema tropical atravessou as proximidades do arquipélago.

​Cada velejador estava sozinho.

​No dia 25 de setembro, a organização identificava quatro concorrentes particularmente expostos. Enfrentavam ventos de 30 a 35 nós e as previsões admitiam ondas de cinco metros e rajadas até 55 nós — cerca de 102 km/h.

​Os relatos divulgados depois da passagem de Gonzalo permitem agora perceber melhor o que essas previsões significaram no mar.

​50 nós, ondas de cinco metros e equipamento perdido

​Um dos testemunhos mais claros veio do norte-americano Gunnar Christensen, de 60 anos, que participa a bordo do Pompoen, um veleiro Hans Christian 34.

​Christensen relatou ventos de aproximadamente 50 nós — cerca de 93 km/h — e ondas de cinco metros.

​Perdeu equipamento na popa e passou aproximadamente dois dias condicionado pela tempestade.

​Em determinado momento, segundo a organização, as condições obrigaram-no a navegar cerca de 180 graus afastado do rumo que pretendia seguir.

​Quando o tempo começou a melhorar, na manhã de 28 de setembro, conseguiu voltar para leste. Avançava então a apenas 2,6 nós.

​Durante Gonzalo, ganhar posições deixara de ser a prioridade. O objetivo era proteger o barco e atravessar o sistema em segurança.

Imagem das fontes

Outros velejadores ficaram praticamente bloqueados

​Christensen não foi o único.

​O norte-americano Matt Woodside, no Tipi Haere, relatou mais de 30 nós de vento de sul-sudoeste e uma progressão praticamente interrompida.

​A malaia Isa Rosli, a bordo do Olleanna, descreveu ventos fortes, grandes ondas e navegação com área vélica muito reduzida. Depois da passagem do sistema, referiu pequenas reparações necessárias no barco e indicou que Gonzalo lhe tinha impedido durante cerca de dois dias a progressão normal para sul.

​As trajetórias pouco habituais observadas durante aqueles dias tinham, portanto, uma explicação: avançar rapidamente deixara de ser o objetivo principal.

​Uma volta ao mundo quase como em 1968

​É a natureza da Golden Globe Race que torna este episódio particularmente interessante.

​A competição recupera o espírito da primeira Golden Globe, disputada em 1968, e impõe condições muito diferentes das encontradas nas grandes regatas oceânicas modernas.

​Os participantes navegam sozinhos e sem escalas, em veleiros tradicionais e com fortes limitações ao uso de tecnologia moderna.

​A navegação astronómica com sextante, cartas em papel e instrumentos tradicionais faz parte da filosofia da prova.

​Os concorrentes não dispõem, portanto, da mesma combinação de sistemas eletrónicos, informação digital e ferramentas de otimização meteorológica utilizada atualmente noutras competições oceânicas.

​Como sabem que uma tempestade está a chegar?

​Navegar segundo princípios inspirados em 1968 não significa ficar deliberadamente sem informação de segurança.

​A organização acompanha a frota e mantém procedimentos para situações meteorológicas potencialmente perigosas. Os navegadores podem igualmente obter informação meteorológica através dos meios autorizados pelas regras da competição.

​A diferença está na tecnologia disponível para transformar essa informação numa decisão.

​Um navegador moderno pode recorrer continuamente a modelos meteorológicos digitais, imagens de satélite e sistemas capazes de calcular rotas em função do vento e do estado do mar.

​Na Golden Globe Race, grande parte dessa vantagem tecnológica é deliberadamente limitada.

​Perante Gonzalo, interpretar a informação disponível, preparar o barco e escolher o rumo continuavam a depender, em grande medida, de uma única pessoa.

​O problema não era apenas o vento

​Os 50 nós, equivalentes a aproximadamente 93 km/h, relatados por Christensen ajudam a perceber a intensidade das condições, mas não contam toda a história.

​Num veleiro oceânico relativamente pequeno, o estado do mar pode ser tão importante quanto a velocidade do vento.

​Uma perturbação tropical pode provocar alterações rápidas na direção e intensidade do vento e gerar ondas provenientes de diferentes direções.

​Para quem navega sozinho, isso significa gerir simultaneamente velas, rumo, equipamento, descanso e segurança.

​Nessas circunstâncias, perder velocidade ou afastar-se temporariamente do destino não representa necessariamente uma má decisão.

​Pode ser precisamente a decisão que permite continuar a viagem.

​Cabo Verde viu Gonzalo de terra. Eles viram-no do oceano

​Nas ilhas, a atenção esteve naturalmente concentrada nas inundações, nos danos, nas estradas condicionadas e na forte agitação marítima.

​A Golden Globe Race oferece outra perspetiva sobre o mesmo fenómeno.

​Enquanto em terra se avaliavam os efeitos de Gonzalo, no Atlântico navegadores solitários tentavam gerir a tempestade em embarcações com pouco mais de dez metros.

​É também uma demonstração de algo que os mapas meteorológicos dificilmente conseguem transmitir.

​Uma tempestade não é apenas uma área colorida num ecrã ou um determinado valor de vento.

​Para quem está no seu caminho, transforma-se numa sucessão de decisões: reduzir velas, mudar de rumo, proteger equipamento, descansar quando possível e determinar quando é seguro voltar a avançar.

​Depois de Gonzalo, ainda há um mundo pela frente

​A Golden Globe Race continua.

​Os concorrentes que atravessaram a zona afetada retomaram progressivamente as suas rotas e ainda têm pela frente alguns dos setores oceânicos mais difíceis do planeta.

​Para Gunnar Christensen ficaram equipamento perdido, distância por recuperar e dois dias durante os quais chegar mais depressa deixou de importar.

​O episódio junto a Cabo Verde mostra também por que esta competição ocupa um lugar particular na vela oceânica.

​Num tempo em que satélites, computadores e modelos meteorológicos permitem conhecer o oceano com uma precisão impensável há algumas décadas, a Golden Globe Race escolheu deliberadamente limitar parte dessa vantagem.

​Gonzalo mostrou o que essa escolha pode significar quando uma tempestade tropical cruza a rota.

​No oceano, saber que o mau tempo está a chegar é apenas a primeira parte do problema. Depois é preciso decidir como atravessá-lo.

​Caboverde24.info

​Fonte: Golden Globe Race; Course au Large.

Would you like to be part of this blog?

Share your ideas and experiences with us!

  • Suggest topics you would like to see published here.
  • Tell us a story or life experience that has had a significant impact on you.
  • Send photos of your city or community.
  • Promote events near you and share any information you consider important to enrich our Cape Verdean community.

Your participation is essential to make this space increasingly lively, useful, and accessible to all of us.
info@caboverde24.com

Leave a comment

Your email address will not be published. Required fields marked with *

Related articles

other publications

Related articles

other publications