“O PIB acelerou no segundo trimestre e Cabo Verde fechou a primeira metade do ano com um crescimento acumulado de 7,6%. Mas há um dado surpreendente: enquanto investimento, construção e comércio avançaram fortemente, alojamento e restauração recuaram 8,8%.”
Em 30 segundos
📈 A economia cabo-verdiana cresceu 8,9% no segundo trimestre de 2026, em termos homólogos.
🏗️ O investimento disparou 56,9% e a construção cresceu 35,3%.
🏨 Alojamento e restauração seguiram na direção contrária, com uma queda de 8,8%.
🔎 O primeiro semestre terminou com crescimento acumulado de 7,6%, mostrando uma economia menos dependente do impulso direto do turismo neste trimestre.
Um crescimento que acelerou
A economia de Cabo Verde voltou a acelerar.
O Produto Interno Bruto registou um crescimento real homólogo de 8,9% no segundo trimestre de 2026, segundo as Contas Nacionais Trimestrais divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística.
O resultado supera os 6,4% registados no primeiro trimestre e coloca o crescimento acumulado da economia nos primeiros seis meses do ano em 7,6%.
Mas olhar apenas para os 8,9% esconde talvez a parte mais interessante destes números.
Desta vez, alguns dos motores mais fortes do crescimento estiveram fora do núcleo tradicionalmente associado ao turismo.
Investimento dispara quase 57%
Um dos números que mais se destaca é o investimento.
A Formação Bruta de Capital Fixo aumentou 56,9% em termos homólogos.
É uma variação muito superior à do próprio PIB e ajuda a explicar a forte expansão da construção, cujo Valor Acrescentado Bruto cresceu 35,3%.
Também o comércio e reparação avançaram 25,9%, enquanto as atividades financeiras e de seguros cresceram 18%.
A agricultura registou igualmente uma expansão expressiva, de 32,6%.
São números que mostram que o crescimento do segundo trimestre não ficou concentrado num único setor.
E o turismo?
É aqui que surge o dado mais inesperado.
O ramo de alojamento e restauração registou uma queda homóloga de 8,8%.
Também as exportações de serviços diminuíram 4%.
Isto não significa, por si só, que o turismo cabo-verdiano esteja a recuar. O indicador de alojamento e restauração é apenas uma componente da atividade económica ligada ao setor e a comparação refere-se especificamente ao segundo trimestre face ao mesmo período de 2025.
Mas mostra algo importante: o forte crescimento da economia neste trimestre não dependeu de uma expansão generalizada de todos os indicadores diretamente associados ao turismo.
Exportações de bens sobem 42,8%
Há outro movimento que merece atenção.
As exportações de bens aumentaram 42,8%, enquanto as importações cresceram 21,3%.
O crescimento muito elevado das exportações de bens constitui um dos sinais a acompanhar nos próximos trimestres para perceber se estamos perante um movimento pontual ou uma alteração mais consistente da composição da economia cabo-verdiana.
Ao mesmo tempo, o forte aumento das importações pode estar relacionado, entre outros fatores, com o próprio dinamismo do investimento e da atividade económica.
Uma economia a crescer por várias frentes
Os números do segundo trimestre deixam, portanto, uma leitura mais complexa do que o simples crescimento de 8,9%.
De um lado, investimento, construção, comércio, agricultura e atividades financeiras apresentam crescimentos muito fortes.
Do outro, alojamento e restauração e exportações de serviços recuam.
O resultado final é uma economia que cresceu mais rapidamente do que no início do ano e que, pelo menos neste trimestre, encontrou importantes motores de expansão fora do alojamento e restauração.
O que será importante observar agora
Um trimestre não permite concluir que Cabo Verde esteja a mudar estruturalmente o seu modelo económico.
Mas os dados levantam uma questão relevante.
Se investimento e construção mantiverem ritmos elevados e outros setores continuarem a contribuir de forma significativa para o PIB, Cabo Verde poderá estar a ampliar as fontes do seu crescimento.
Se, pelo contrário, estes aumentos forem resultado de fatores temporários ou de uma base de comparação particularmente baixa, a fotografia poderá mudar rapidamente nos próximos trimestres.
Por isso, mais do que os 8,9%, serão importantes os próximos números: perceber se o investimento continua a crescer, o que explica o recuo de alojamento e restauração e até que ponto a expansão observada no primeiro semestre é sustentável.
Por agora, uma conclusão é segura: Cabo Verde chegou a meio de 2026 com a economia a crescer 7,6% e com motores de crescimento bastante diferentes entre si.
Caboverde24.info
Fonte: Instituto Nacional de Estatística — Contas Nacionais Trimestrais, segundo trimestre de 2026.

























