“Pedro Barros deixa a chefia da TACV em meio a uma crise profunda, tornando-se símbolo de uma gestão marcada por dificuldades históricas e desafios ainda sem solução”
Até ontem, Pedro Barros foi o CEO da TACV – Transportes Aéreos de Cabo Verde. Gestor cabo-verdiano reconhecido pela sua profissionalidade, Barros assumiu um papel extremamente complexo. A TACV, de fato, é uma companhia que há anos se encontra em situação de “falência técnica”, com pouca credibilidade no mercado, estruturas organizacionais tradicionais e obsoletas, modelos operacionais cada vez menos competitivos e um quadro de pessoal desmotivado e desacreditado.
Aceitar o cargo de CEO nessas condições foi um gesto de coragem que merece reconhecimento, mas também foi como entrar num labirinto sem saídas aparentes.
Uma herança pesada e uma remoção controversa
A saída de Barros do cargo, decidida formalmente pelo governo e não apresentada como uma demissão, acontece num momento delicado, após dois graves acidentes aéreos ocorridos em 31 de agosto nos céus de Cabo Verde. Nesta fase dramática, tem-se a impressão de que Barros está a pagar um preço que, na verdade, deveria recair sobre as responsabilidades políticas das últimas quatro legislaturas, que nunca colocaram os cabo-verdianos em condições de viajar com regularidade e segurança, entre atrasos crónicos e frequentes cancelamentos.
As dificuldades de gerir uma crise
Durante o seu mandato, Barros deparou-se com a missão de gerir uma empresa sem as ferramentas e o apoio necessários: quando pediu novas aeronaves para os voos internos, soluções conciliatórias com os pilotos e o pessoal durante os conflitos sindicais, o pagamento de agências de viagens ainda à espera de reembolsos há anos, ou a regularização de fornecedores cansados de esperar, muitas vezes os seus pedidos caíram em ouvidos surdos. Esse isolamento, de fato, impediu uma gestão positiva e eficaz da companhia.
Quem é Pedro Barros?
Pedro Barros é um gestor cabo-verdiano com sólida formação em economia e gestão empresarial. Construiu uma longa carreira em cargos de direção tanto no setor público quanto no privado, especialmente nos ramos dos transportes e da logística, em Cabo Verde e no estrangeiro. Antes de assumir o comando da TACV, ocupou postos de destaque em entidades governamentais e empresas de transporte, distinguiu-se por uma abordagem pragmática e uma visão estratégica orientada para a sustentabilidade. Sua nomeação como CEO foi recebida como uma esperança de estabilidade para uma companhia que há muito tempo necessitava de um relançamento profundo.
A trajetória de Pedro Barros conta a história de um gestor corajoso, colocado num contexto sem recursos e com responsabilidades que vão muito além do seu cargo. A sua saída não pode ser vista como um mero fracasso individual, mas sim como o sinal de uma crise profunda que exige responsabilidades partilhadas e um urgente relançamento de todo o sistema de transporte aéreo cabo-verdiano.
O bode expiatório de uma crise sistêmica
Barros é a pessoa que hoje paga as consequências de uma crise que não começou com ele, mas que resulta de décadas de más escolhas políticas e de gestão. É também o rosto que se sacrifica enquanto outros, incluindo a Autoridade de Aviação Civil (AAC), cuja supervisão preventiva se mostra gravemente insuficiente, deveriam ser chamados a prestar contas, como ficou claro nas crises que culminaram nos recentes acidentes aéreos.
Cabo Verde24








































5 Responses
Se ele é tão competente como diz no papel, ele não teria aceitado o cargo. Ele sabia o que esperava, uma empresa moribunda e com muitas fragilidades a todo nível. Um bom gestor não é so ser econimista ou gestor de empresas, mas sobretudo é saber lidar com as pessoas, aí o homem é fraquinho e por outro lado comunica muito mal, quando é necessario. Todos os setores da Tacv neste momento é uma bandalheira, não há informação de nada. Os telefones dados nunca respondem e se respondem, há uma frase feita. Logo que há novidades vamos entrar em contato que nunca vai ser realizado.
Acho que deveriam chamar as ocorrências com as aeronaves de incidentes ao invés de acidentes
Nao foram acidentes como se refere no texto mas incidentes.
Se toda vez que houver um incidente numa empresa ,pede se a demissão do bord estamos fritos .Em vez de averiguar e aprender a lição? fica se a fazer politiquice.
Isto numa Terra em que gestores de topo conta se nos dedos .
Está se bonito!