“Companhia aérea pública volta a deixar dezenas de passageiros retidos no Fogo sem explicações, expondo falhas graves de comunicação, de proteção dos clientes e de responsabilidade do Estado”
Historicamente, o setor aéreo em Cabo Verde tem sido marcado por instabilidade operacional e financeira. Recordamos que, apesar das promessas de melhoria com a introdução de novas aeronaves e a tutela estatal direta, as queixas sobre cancelamentos sem assistência e a ausência de planos de contingência (reproteção) têm sido recorrentes nos últimos meses em várias ilhas, especialmente no Sal, Fogo e São Vicente.
O que se passou agora?
Cerca de 50 passageiros com destino à cidade da Praia encontram-se retidos na ilha do Fogo desde o passado sábado. O que começou por ser um cancelamento de voo — algo que pode acontecer em qualquer operação aérea — transformou-se num pesadelo de incerteza devido à cultura do silêncio da TACV. Sem informações claras sobre o porquê do cancelamento ou, mais importante, sobre quando seriam transportados, os passageiros ficaram entregues à própria sorte.
1. O abandono no aeródromo de São Filipe
A denúncia, trazida a público pela Record TV Cabo Verde, revela um cenário de desespero. Passageiros com ligações internacionais, consultas médicas e compromissos profissionais viram os seus planos desmoronarem-se. A maior queixa não é apenas o atraso, mas a inexistência de representantes da companhia para dar a cara e oferecer soluções básicas, como alojamento e alimentação, conforme previsto na lei.
2. Comunicação: O calcanhar de aquiles da TACV
Uma companhia aérea tem o dever de informar sobre três pilares: o que aconteceu, o que está a ser feito e quando a situação será resolvida. No Fogo, houve um vazio total. Quando a comunicação falha, a confiança do passageiro desaparece. Este episódio reforça a ideia de que o passageiro é visto como um “detalhe” e não como o cliente central de um serviço público essencial.
3. A responsabilidade política e do Estado
Sendo a TACV uma empresa tutelada pelo Estado, este incidente deixa de ser apenas uma falha técnica para se tornar uma falha de Estado. Num país arquipelágico, a mobilidade aérea é um direito básico para a coesão económica e social. O Estado, enquanto acionista e gestor, não pode ignorar que a repetição destes casos no Fogo e noutras ilhas sinaliza uma gestão operacional precária que afeta diretamente a vida dos cabo-verdianos.
4. Direitos no papel vs. realidade
O Decreto-Lei n.º 35/2006 é claro: o passageiro tem direito a assistência (refeições, alojamento e transporte) e a informação atempada. Contudo, o que vemos na prática é uma distância enorme entre a legislação e o que acontece nos aeroportos nacionais. A contínua falta de fiscalização da Autoridade da Aviação Civil (AAC) acaba por alimentar uma sensação de impunidade, onde a transportadora cancela e o cidadão “desenrasca-se”.
5. O que precisa de mudar urgentemente?
Para que o Fogo não continue a ser palco destes episódios, são necessárias mudanças estruturais e medidas concretas:
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Gestão profissional e experiência internacional: É imperativo que a TACV seja gerida por uma equipa competente, com experiência internacional comprovada no setor aeronáutico. A aviação moderna não perdoa a falta de especialização; é necessária uma liderança que saiba aplicar as melhores práticas globais de gestão de frota e crise.
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Protocolos de informação: Obrigatoriedade de comunicação escrita e digital aos passageiros no momento exato do cancelamento.
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Planos de contingência reais: Articulação imediata com o transporte marítimo (CV Interilhas) ou outros operadores quando as aeronaves estão inoperacionais, com prazos de resposta definidos.
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Fiscalização ativa: Presença física de reguladores nos aeroportos para garantir que os direitos de assistência (alojamento/refeições) são cumpridos de imediato.
Enquanto a falha for tratada como algo “normal” e a gestão não for profissionalizada ao mais alto nível, Cabo Verde continuará a voar com as asas cortadas pela falta de transparência e desrespeito pelo cidadão.
Caboverde24.info
Fonte e vídeo: Record TV Cabo Verde
Imagem: Realizada com IA






































Uma resposta
Para alem de tudo o que é preciso mudar, urgentemente, junte-se, ainda a urgentissima mudança da atendente ao balcão no aeroporto. Arrogante e enfadada, trata os passageiros com uma condescendencia hipocrita como se estivesse a fazer um favor em vez de prestar um serviço para o qual é devidamente remunerada. Quanto a prestação de informações, remete tudo para a “Praia”, lavando as suas mãos. Com empregados assim não há empresa que resista e nem paciencia que chegue aos infelizes utentes.