A “Pérola das Antilhas” na escuridão: Como a escassez de combustível e o isolamento aéreo estão a estrangular a economia da Ilha em 2026
A situação em Cuba em fevereiro de 2026 atingiu um ponto de ruptura crítico. O turismo, outrora o “motor” da economia cubana e a sua principal fonte de divisas, enfrenta agora o seu momento mais sombrio. A conjugação de uma infraestrutura energética obsoleta com a incapacidade de garantir o reabastecimento de aeronaves transformou a ilha num destino de alto risco. A decisão do governo de suspender a venda de combustível Jet A-1 em nove aeroportos principais foi o golpe de misericórdia para a temporada alta deste ano.
A paralisia operacional e o isolamento aéreo
A crise não se limita à falta de eletricidade nos resorts de Varadero. O problema atual é logístico e de segurança aérea. Sem combustível disponível na ilha, as companhias aéreas são obrigadas a adotar estratégias de custo elevado, como escalas técnicas na República Dominicana ou Cancún apenas para abastecer.
Muitas operadoras canadianas e europeias, que garantiam o fluxo de visitantes, optaram por suspender rotas por tempo indeterminado. Para os poucos turistas que ainda se aventuram na ilha, a experiência é marcada por restrições severas: falta de climatização, menus reduzidos nos hotéis e transporte interno quase inexistente.
O impacto no setor privado e nas famílias
Não são apenas as grandes cadeias estatais que sofrem. O setor dos “Paladares” (restaurantes privados) e as “Casas Particulares”, que sustentavam milhares de famílias cubanas, estão a fechar em massa. Sem energia para conservar alimentos e sem turistas para pagar em moeda forte, o ecossistema económico privado está em colapso, acelerando o fluxo migratório de jovens profissionais do setor para o exterior.
Quem é o Grupo Gaviota e o MINTUR?
O setor é dominado pelo Ministério do Turismo (MINTUR) e pelo Grupo de Turismo Gaviota S.A., esta última uma entidade gerida pelo braço empresarial das Forças Armadas (GAESA). A Gaviota controla a maioria dos hotéis de luxo e serviços de transporte. A atual gestão militarizada tem sido alvo de duras críticas por continuar a investir na construção de novos hotéis enquanto a rede elétrica nacional, que serve tanto a população como o turismo, se desmorona por falta de manutenção básica.
O risco de “afogamento” económico total
Sem a entrada de dólares e euros do turismo, o governo de Miguel Díaz-Canel perde a capacidade de comprar petróleo no mercado internacional e de importar alimentos básicos. É um círculo vicioso: a falta de energia afasta o turista, e a ausência do turista impede a compra de energia. A dependência de aliados como a Rússia e o México tem-se mostrado insuficiente perante a magnitude da dívida externa e o isolamento financeiro.
Caboverde24.info
Fonte: Dados do Gabinete Nacional de Estatística e Informação (ONEI) de Cuba e relatórios da IATA (fevereiro de 2026).
Nota Editorial: As informações apresentadas baseiam-se em dados contextuais da crise energética de 2026; os números de ocupação hoteleira refletem relatos de operadores no terreno e podem divergir das estatísticas oficiais do Estado cubano.







































