“O setor de transporte público de passageiros na Ilha do Sal também se caracteriza por práticas controversas, incluindo a venda de licenças a preços elevados e a gestão da frota por um número reduzido de detentores de alvarás”
A situação atual do transporte de passageiros
O setor de transporte público de passageiros na Ilha do Sal, especificamente o serviço de táxis, atravessa um momento de análise profunda após incidentes recentes que envolveram disputas entre profissionais e turistas franceses. A Ilha do Sal, sendo o principal motor turístico de Cabo Verde, depende fortemente da eficiência e da transparência deste serviço para garantir a hospitalidade que caracteriza o país. No entanto, relatos recentes de utentes e profissionais do setor trazem à luz questões estruturais que merecem atenção das autoridades e da sociedade civil.
O setor de táxis no Sal?
O setor de táxis na Ilha do Sal é composto por uma frota licenciada pela autarquia local, destinada a servir tanto a população residente quanto os milhares de turistas que desembarcam no Aeroporto Internacional Amílcar Cabral. Teoricamente, o sistema deveria ser composto por operadores independentes, mas a realidade atual aponta para uma concentração de licenças. O setor é hoje uma mistura de condutores assalariados e proprietários de frotas, onde a figura do condutor nem sempre coincide com a do detentor do alvará.
A concentração de licenças e o mercado informal
Diversas sinalizações indicam que a gestão dos táxis na ilha está concentrada nas mãos de um grupo restrito de pessoas. Entre os proprietários de frotas encontram-se emigrantes, residentes de outras ilhas e, segundo relatos, até profissionais da administração pública que veem nesta atividade uma fonte de rendimento superior à sua ocupação principal. Há informações de que um único investidor pode controlar dezenas de viaturas, dominando uma parte significativa da mobilidade privada na ilha.
Esta concentração reflete-se no mercado informal de licenças. De acordo com informações recolhidas junto de profissionais, a aquisição de uma licença para operar de forma própria pode atingir valores entre os 4 e 6 milhões de escudos no mercado secundário, um montante proibitivo para a maioria dos condutores.
Tabela resumo: estrutura e custos do setor (estimativas)
Condições de trabalho e manutenção da frota
A estrutura de gestão baseada em frotas tem tido impacto direto na qualidade do serviço. Condutores com anos de experiência relatam trabalhar com veículos obsoletos e mecanicamente inadequados. A resistência de alguns proprietários em renovar a frota, optando por manter as viaturas em circulação até ao limite da sua utilidade, levanta preocupações sobre a segurança rodoviária. Muitos condutores operam sob um regime de rendimento fixo diário, o que limita a sua capacidade de investimento pessoal no setor.
A experiência do turista e as tarifas
Um dos pontos mais críticos reside na porta de entrada da ilha: o aeroporto. Utilizadores habituais descrevem um cenário de desordem na zona de chegadas, com uma presença excessiva de condutores a abordar passageiros de forma insistente. Além disso, a discrepância tarifária é uma queixa recorrente. Embora a tabela municipal estipule o valor de 1.200 escudos para o trajeto Aeroporto-Santa Maria, há relatos de cobranças subjetivas que chegam aos 2.500 escudos, baseadas em avaliações momentâneas dos condutores.
Necessidade de regulação e fiscalização
O cenário descrito sugere a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa e de uma revisão das políticas de atribuição de licenças. A transparência nos preços e a organização dos pontos de recolha de passageiros são fundamentais para preservar a imagem da Ilha do Sal. A profissionalização do setor e a garantia de que as licenças cumprem a sua função social e económica original parecem ser os passos necessários para resolver as tensões atuais e beneficiar tanto os trabalhadores quanto os utentes.
Caboverde24.info
Fonte: Sinalizações e relatos de leitores e profissionais do setor da Ilha do Sal.
Nota Editorial: Este artigo baseia-se em relatos enviados por cidadãos e profissionais, refletindo as preocupações sobre a gestão da mobilidade na ilha. As autoridades competentes detêm o poder de regular e fiscalizar as práticas aqui mencionadas.







































