“O perfil do missionário cabo-verdiano que trocou a Amazónia pelo regresso às origens”
Embora a notícia da sua nomeação tenha percorrido as ilhas e a diáspora nos últimos meses, muitos cabo-verdianos questionam agora quem é, de facto, o homem que sucede ao Cardeal Dom Arlindo Furtado. Dom Teodoro Mendes Tavares não é um estranho para a Igreja, mas o seu longo percurso fora de Cabo Verde torna a sua biografia um elemento essencial para compreender o futuro da diocese mais antiga do país.
Nascido e criado no interior de Santiago, o novo bispo traz consigo uma bagagem que mistura a resiliência do povo de Santiago com a experiência global de quem serviu em alguns dos contextos mais desafiantes da Igreja Católica contemporânea.
Do interior de Santiago para o mundo
Dom Teodoro nasceu a 7 de janeiro de 1964, na freguesia de São Miguel Arcanjo, concelho de São Miguel. A sua vocação manifestou-se cedo, levando-o a integrar a Congregação dos Missionários do Espírito Santo (Espiritanos). A sua formação académica e espiritual passou por Portugal, onde estudou Filosofia e Teologia, e pela Irlanda, onde obteve um Mestrado em Ecumenismo no prestigiado Trinity College, em Dublin.
Esta formação internacional conferiu-lhe uma visão ampla sobre o papel da religião na sociedade moderna e a importância do diálogo entre diferentes fés e culturas, algo que viria a definir o seu ministério nas décadas seguintes.
Quem é Dom Teodoro Mendes Tavares?
Para além dos títulos, Dom Teodoro é descrito como um “pastor com cheiro a ovelhas”, uma expressão cara ao Papa Francisco. Durante os seus 32 anos de missão no Brasil, especialmente na Diocese de Ponta de Pedras, na Ilha do Marajó, o bispo cabo-verdiano enfrentou realidades de extrema pobreza e isolamento geográfico.
Na Amazónia, Dom Teodoro destacou-se pela defesa dos direitos humanos e pela proteção do meio ambiente, sendo uma voz ativa no Sínodo para a Amazónia em Roma. A sua capacidade de gestão e a sua sensibilidade social fizeram dele uma figura respeitada na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em 2025, o reconhecimento do seu trabalho levou o Vaticano a nomeá-lo membro do Dicastério para o Diálogo Inter-Religioso, consolidando o seu papel como uma das figuras mais influentes da hierarquia católica cabo-verdiana a nível mundial.
O regresso e os desafios em Santiago
O regresso de Dom Teodoro a Cabo Verde é visto como um movimento estratégico da Santa Sé. Sendo um “filho da terra” que conhece profundamente a cultura local, mas que possui uma experiência administrativa e pastoral vasta no estrangeiro, ele é considerado o perfil ideal para liderar a Diocese de Santiago num momento de transição social e demográfica nas ilhas.
Espera-se que o seu mandato foque na juventude, na renovação das paróquias rurais e no reforço do papel da Igreja nas questões de justiça social, temas que foram centrais no seu percurso em solo brasileiro.
Caboverde24.info
Fonte: Diocese de Santiago / Agência Inforpress / Sala de Imprensa da Santa Sé





















