“Restrições em aeroportos como Roma Fiumicino e Milão Malpensa e risco de racionamento de querosene colocam conectividade aérea em alerta máximo”
O setor da aviação europeia atravessa um dos períodos mais críticos de 2026. A combinação da instabilidade militar no Médio Oriente com o risco de interrupção nas rotas de abastecimento do Canal de Suez forçou as autoridades da aviação civil no “Velho Continente” a emitir os primeiros avisos de contingência. Para Cabo Verde, o desafio é estratégico: embora o abastecimento interno nos nossos aeroportos esteja assegurado pela ENACOL, as restrições operacionais e o possível racionamento na Europa podem ditar o cancelamento de rotas por motivos de força maior nas origens.
Restrições em Itália: Aeroportos sob pressão
A situação em Itália já passou do plano teórico para a prática. Aeroportos de importância vital para o tráfego internacional e para as ligações charter com o nosso arquipélago começaram a aplicar medidas de contenção severas. Entre os exemplos de restrições em curso, destacam-se:
- Roma-Fiumicino (Leonardo da Vinci): Monitorização rigorosa de slots e priorização de voos de longo curso, com limitações pontuais no reabastecimento total para otimizar reservas.
- Milão-Malpensa: Restrições na aviação executiva e de jatos privados para garantir a prioridade dos voos de linha comercial face à volatilidade do combustível.
- Veneza (Marco Polo) e Bolonha (Guglielmo Marconi): Avaliações de segurança que podem levar à suspensão temporária de voos noturnos não essenciais para reduzir a carga operacional e o consumo energético.
Estas medidas, embora inicialmente localizadas nestes grandes hubs, servem de aviso para o que poderá acontecer em maio e junho nos voos destinados ao Atlântico Médio, caso a crise militar e energética se agrave.
A geografia do risco: A dependência do Golfo
A vulnerabilidade dos voos para o nosso arquipélago depende diretamente da geografia de abastecimento das companhias. Segundo dados da Scope Ratings, o Golfo Pérsico forneceu 43% das importações europeias de combustível em 2025:
- Países do Sul (Itália, Espanha, Grécia): São os mais expostos, com uma dependência crítica das rotas que atravessam o Canal de Suez e o Mediterrâneo Oriental, atualmente sob ameaça de bloqueios.
- Hubs de Portugal e Norte da Europa: Estes resultam relativamente mais protegidos, uma vez que são abastecidos principalmente por refinarias do bacino atlantico e redes de oleodutos terrestres.
Esta divisão é vital para Cabo Verde: enquanto as ligações via Lisboa (TAP) ou Amesterdão (TUI) usufruem da proteção do eixo atlântico, rotas provenientes de Itália enfrentam uma pressão logística e militar muito superior.
Estabilidade garantida pela ENACOL
Em contrapartida ao cenário de alerta europeu, Cabo Verde apresenta uma situação de resiliência. O Diretor Geral da ENACOL, Luís Flores, garantiu recentemente que o país não tem exposição direta à instabilidade no Médio Oriente. O combustível que abastece o Sal, Praia, Boavista e São Vicente provém de refinarias da Costa Ocidental Africana e da Europa Ocidental.
A estratégia de planeamento com dois meses de antecedência permitiu que os stocks para o final de março e para todo o mês de abril de 2026 estejam já calendarizados e seguros. Cabo Verde tem combustível nos seus tanques para abastecer todas as aeronaves, posicionando-se como um ponto de reabastecimento seguro e estável no Atlântico Médio.
Nota Editorial
A autonomia logística de Cabo Verde é um trunfo num momento de crise militar e energética. Contudo, as restrições já aplicadas em aeroportos como Roma e Milão servem de aviso: o fluxo turístico depende da estabilidade nas capitais europeias, independentemente da nossa prontidão interna.
Caboverde24.info
Fonte: Corriere della Sera, Scope Ratings, ENACOL







































