“Investigações no Reino Unido avaliam alegações de doenças gástricas e 8 mortes suspeitas”
O setor turístico de Cabo Verde está sob o olhar atento da imprensa internacional. De acordo com uma reportagem detalhada da BBC News, o número de turistas britânicos que se juntaram a uma ação coletiva contra o operador turístico TUI ultrapassou a marca dos 1.700. Os queixosos alegam ter contraído infeções gástricas, como Shigella, Salmonella e E. coli, durante estadias em unidades hoteleiras nas ilhas do Sal e da Boa Vista.
O caso, que corre nos tribunais britânicos, foca-se agora em 8 mortes suspeitas de cidadãos do Reino Unido após férias no arquipélago. Entre os casos citados pela defesa está o de Elena Walsh, de 64 anos, falecida em agosto passado após adoecer no RIU Cabo Verde, e o de Karen Pooley, também de 64 anos, que morreu em outubro após apresentar sintomas gástricos e complicações de saúde. É imperativo reforçar que estas mortes são tratadas como suspeitas pelas autoridades britânicas, estando a relação de causalidade com os serviços hoteleiros ainda sob investigação judicial.
A operação da TUI e as alegações da acusação
A TUI (Touristik Union International) consolidou-se como o pilar central do turismo em Cabo Verde ao longo das últimas duas décadas, tendo iniciado a sua expansão em 2005. Atualmente, a companhia opera com uma rede robusta de resorts próprios e em regime de exclusividade nas ilhas do Sal e da Boa Vista, gerindo toda a cadeia, desde os voos fretados até ao alojamento.
Desde 2022, a companhia reforçou estrategicamente o arquipélago como o seu principal destino de inverno para o mercado europeu. No entanto, os advogados da firma Irwin Mitchell afirmam ter reunido evidências que pretendem apresentar em tribunal, incluindo relatos e imagens que alegadamente sugerem falhas em protocolos de higiene e conservação alimentar em determinadas unidades.
O título TUI na Bolsa de Valores de Frankfurt (Xetra)
Análise: A cotação da TUI e a hipótese do impacto reputacional
O mercado financeiro tem demonstrado uma reação volátil que coincide temporalmente com a divulgação destas denúncias. No início de janeiro de 2026, as ações da TUI (cotadas em Frankfurt sob o símbolo TUI1) atingiram um pico de 9,27 €.
Contudo, levanta-se a hipótese de que a publicidade em torno dos .1700 queixosos e das 8 mortes suspeitas tenha afetado a confiança dos investidores. Em 2 de abril de 2026, a cotação fixou-se nos 6,74 €, o que representa uma desvalorização de 27,29%. Embora a queda possa ser influenciada por diversos fatores macroeconómicos, analistas admitem que o “risco reputacional” é um elemento de pressão, dado o receio de indemnizações milionárias e o potencial impacto na imagem da marca no Reino Unido.
Quem é a Irwin Mitchell?
A Irwin Mitchell é uma das mais proeminentes sociedades de advogados do Reino Unido, especializada em litígios internacionais. A firma tem um longo historial em representar vítimas de surtos infecciosos em viagens organizadas (package holidays), sendo responsável por levar grandes corporações turísticas perante o High Court de Londres para garantir compensações aos consumidores que aleguem danos à saúde.
Nota editorial
É fundamental manter o equilíbrio informativo: enquanto a acusação britânica apresenta denúncias graves, o Governo de Cabo Verde tem refutado categoricamente as acusações de uma crise sanitária, defendendo o rigor das inspeções realizadas pelas autoridades locais e recusando a ideia de um problema sistémico. O executivo sublinha que o país segue protocolos internacionais de segurança. Para a transparência total, aguarda-se a conclusão das investigações e a publicação de relatórios técnicos que possam esclarecer definitivamente estas hipóteses.
Caboverde24.info
Fonte: BBC News / BBC Breakfast / Irwin Mitchell Solicitors



































