“A partir de 1 de agosto, quem quiser um visto americano em Cabo Verde continua a poder tratar de tudo na Praia — privilégio que 25 outros países africanos deixarão de ter”
A reorganização consular no continente
Os Estados Unidos vão reorganizar, a partir de 1 de agosto de 2026, todo o sistema de emissão de vistos no continente africano, concentrando o processamento de rotina em apenas 20 postos regionais.
Cabo Verde está entre os escolhidos: a Embaixada dos EUA na Praia manterá plenos serviços consulares de vistos, algo que deixará de acontecer em cerca de duas dezenas de outras capitais africanas.
Segundo o Departamento de Estado, o processamento rotineiro de vistos passará a ser assegurado nas embaixadas e consulados de Abidjan, Accra, Adis Abeba, Cidade do Cabo, Dakar, Dar-es-Salaam, Djibuti, Joanesburgo, Kampala, Kigali, Kinshasa, Lagos, Lomé, Luanda, Malabo, Monróvia, Nairobi, Port Louis, Praia e Yaoundé.
Em contrapartida, requerentes de mais de duas dezenas de países — entre eles a Gâmbia, a República do Congo, o Burundi, a Guiné, o Benim, o Zimbabué, o Sudão do Sul, o Gabão, o Malawi, a Zâmbia, Moçambique, o Lesoto, o Essuatíni, o Chade, o Níger, a Mauritânia, o Burquina Faso e a Namíbia — terão de se deslocar até ao centro regional que lhes for atribuído para agendar entrevistas e pagar taxas.
A medida foi formalmente aprovada pelo secretário de Estado Marco Rubio, reduzindo as operações consulares de rotina a apenas 20 “hubs” em toda a África. As secções consulares dos postos não escolhidos como centros continuarão abertas, mas limitadas a serviços para cidadãos americanos e situações de emergência, deixando de tratar vistos comuns.
Porque é que a Praia entrou na lista
Cabo Verde mantém uma relação consular pouco comum com Washington: os EUA têm uma embaixada residente na Praia desde 1978, e a população cabo-verdiana-americana residente nos Estados Unidos é quase equivalente à população do próprio arquipélago.
Essa ligação histórica e o volume já consolidado de pedidos de visto parecem ter pesado na escolha da capital cabo-verdiana como um dos vinte polos regionais, ao lado de praças consulares muito maiores como Lagos, Nairobi ou Joanesburgo.
Para os cidadãos cabo-verdianos, a prática não muda: continua a ser possível marcar entrevista, pagar taxas e ser atendido na Rua Abílio Macedo, na Praia, sem necessidade de viajar para outro país. Já para requerentes de nacionalidades vizinhas cujos postos percam o estatuto de processamento — caso, por exemplo, do Chade, agora reencaminhado para Yaoundé — a distância e o custo das deslocações deverão aumentar de forma significativa.
O que é o Departamento de Estado dos EUA?
O Departamento de Estado dos Estados Unidos é o ministério dos negócios estrangeiros do governo federal norte-americano, liderado pelo secretário de Estado. É a instituição responsável pela condução das relações diplomáticas internacionais, pela gestão da rede de embaixadas e consulados e pela aplicação das políticas de migração e emissão de vistos em todo o mundo.
Nota editorial:
A reorganização insere-se num conjunto mais amplo de medidas de controlo migratório dos EUA em 2026, que incluem restrições de viagem a vários países africanos e uma caução de visto que pode chegar a 15.000 dólares para certas nacionalidades. Cabo Verde não está, até ao momento, sujeito a essas restrições adicionais.
Recordamos que…
Cabo Verde mantém, desde 1978, uma embaixada residente dos EUA na Praia, com uma secção consular historicamente dimensionada face ao peso da diáspora cabo-verdiana-americana. A nova reorganização, anunciada inicialmente em junho e formalizada a 15 de julho de 2026, entra em vigor a 1 de agosto, com pleno acompanhamento informativo pela nossa redação neste domingo, 19 de julho de 2026.
Caboverde24.info
Fonte: Departamento de Estado dos EUA





























