“Luis Miguel Varela Mendes tinha 20 anos, vivia em França desde os 11 e era conhecido pelo envolvimento com a comunidade local. Uma viagem de férias à costa albanesa terminou tragicamente na madrugada de 18 de agosto.”
Em 30 segundos
- Luis Miguel Varela Mendes, conhecido como “Milton”, tinha 20 anos e era de origem cabo-verdiana.
- Vivia em Nice, França, onde chegou aos 11 anos e manteve uma forte ligação à associação La Semeuse.
- Foi mortalmente atingido na madrugada de 18 de agosto, durante uma viagem a Ksamil, na Albânia.
- Um suspeito detido admitiu perante o tribunal ter desferido o golpe fatal, enquanto as circunstâncias que desencadearam a violência continuam sob investigação.
- A comunidade cabo-verdiana de Nice mobilizou-se para apoiar a família.
Uma história que liga Cabo Verde, França e Albânia
Durante os primeiros dias, a morte de Luis Miguel Varela Mendes foi noticiada internacionalmente sobretudo como o homicídio de um jovem turista português numa conhecida estância balnear da Albânia.
Novas informações publicadas em França revelaram, porém, uma dimensão até então pouco conhecida da sua história: Luis era de origem cabo-verdiana e vivia há vários anos em Nice, no sul de França.
Tinha apenas 20 anos.
Segundo o perfil publicado pelo jornal francês Nice-Matin, Luis chegou a Nice aos 11 anos, frequentou o liceu Vernier e posteriormente estabeleceu-se no bairro Gambetta.
Na associação La Semeuse, que o acompanhava há vários anos, quase ninguém o tratava pelo nome completo.
Para todos, era simplesmente “Milton”.
“Amado e respeitado”
Os testemunhos recolhidos em Nice descrevem um jovem muito integrado na vida do bairro.
Christophe Tassano, diretor-geral da La Semeuse, recordou-o como uma pessoa amada e respeitada, destacando ainda uma característica particularmente marcante: Milton procurava frequentemente acalmar conflitos e assumir uma posição de mediação entre outros jovens.
Frequentava também o centro social La Ruche e mantinha uma ligação próxima com os educadores que o tinham acompanhado ao longo dos anos.
A sua morte provocou, por isso, forte consternação entre aqueles que o conheceram em Nice.
Também a associação Dix Étoiles, ligada à comunidade cabo-verdiana local, mobilizou-se para acompanhar os familiares nas diferentes diligências que enfrentam após a tragédia.
Uma campanha de solidariedade foi igualmente lançada para ajudar a família com as despesas decorrentes da morte de Luis e dos procedimentos necessários no estrangeiro.
A Albânia não estava inicialmente nos planos
Outro elemento entretanto esclarecido diz respeito à viagem.
Alguns títulos publicados na Albânia chegaram a sugerir que Luis teria ido parar ao país “por engano”. As informações posteriormente divulgadas apontam para uma realidade diferente.
Luis e os amigos tinham outros planos para o verão e deveriam participar numa viagem a Espanha a partir de 26 de agosto, no âmbito do dispositivo francês “Sac à dos”.
Antes disso, o grupo decidiu organizar alguns dias de férias na Albânia, chegando ao país em 16 de agosto.
De acordo com testemunhos divulgados pela imprensa francesa, os educadores que conheciam os jovens chegaram a tentar dissuadi-los dessa viagem.
Dois dias depois, aconteceu a tragédia.
O que aconteceu em Ksamil
Na madrugada de 18 de agosto, Luis encontrava-se com amigos na zona turística de Ksamil, no extremo sul da Albânia, quando uma altercação envolvendo várias pessoas degenerou em violência.
O jovem acabou mortalmente atingido com uma arma branca.
As autoridades albanesas desencadearam uma ampla investigação, com várias detenções e outras pessoas envolvidas nas averiguações.
O principal suspeito, Sokrat Vata, compareceu entretanto perante o Tribunal de Saranda e, segundo a Euronews Albania, admitiu ter desferido o golpe que matou o jovem e pediu desculpa à família.
Apresentou, contudo, a sua própria versão sobre as circunstâncias da luta, matéria que continua sob investigação.
Diferentes versões sobre o início da violência
Um ponto exige particular prudência.
As primeiras notícias apresentaram versões diferentes sobre aquilo que desencadeou a confrontação.
Amigos de Luis disseram à imprensa portuguesa que o jovem teria procurado intervir para ajudar uma rapariga que estaria a ser importunada. Outras reconstruções publicadas na Albânia apresentaram versões diferentes sobre a origem do conflito.
Por essa razão, não é possível, nesta fase, apresentar como definitivamente estabelecida a causa que deu início à violência.
A investigação das autoridades albanesas deverá esclarecer a sequência completa dos acontecimentos e as responsabilidades das diferentes pessoas envolvidas.
De “turista português” a uma história também cabo-verdiana
O caso foi inicialmente divulgado por numerosos meios internacionais apenas como a morte de um turista português de 20 anos.
A imprensa portuguesa também o identifica como português.
Mas o retrato publicado pela imprensa francesa trouxe para primeiro plano uma parte importante da sua história pessoal: as raízes cabo-verdianas de Milton e a vida construída desde a adolescência em Nice.
O Le Parisien também identifica Luis como cabo-verdiano e refere que vivia em Nice com a família havia cerca de uma década.
É esta dimensão que aproxima particularmente a tragédia de Cabo Verde e da sua diáspora.
A milhares de quilómetros de Ksamil, a morte de “Milton” deixa assim de ser apenas mais um caso de violência envolvendo um turista estrangeiro: é também a história de um jovem com raízes em Cabo Verde, criado em França e cuja vida terminou aos 20 anos durante alguns dias de férias na costa albanesa.
Caboverde24.info
Fontes e foto: Nice-Matin, Le Parisien e La Dépêche

























