“Cabo Verde e São Tomé e Príncipe são os únicos países da África Subsaariana classificados na categoria mais elevada do CIVICUS Monitor, que avalia as condições para o exercício das liberdades cívicas.”
Cabo Verde distingue-se no panorama da África Subsaariana por integrar um grupo de apenas dois países cujo espaço cívico é classificado como “aberto” pelo CIVICUS Monitor.
O arquipélago apresenta uma pontuação de 88 em 100, a mesma registada por São Tomé e Príncipe, o outro país da região incluído na categoria mais elevada da classificação.
O que significa ter um espaço cívico “aberto”?
O CIVICUS Monitor acompanha as condições para o exercício de três liberdades fundamentais: liberdade de associação, liberdade de reunião pacífica e liberdade de expressão.
A classificação “aberto” corresponde ao nível mais favorável da escala utilizada pelo CIVICUS e caracteriza contextos em que o Estado permite e protege, de forma geral, o exercício dessas liberdades.
Na prática, significa que cidadãos e organizações da sociedade civil dispõem de condições amplamente favoráveis para se organizar, manifestar opiniões, reunir-se e participar no espaço público.
A classificação não significa, contudo, que um país esteja isento de problemas ou de episódios pontuais envolvendo limitações desses direitos.
Cabo Verde e São Tomé e Príncipe são as duas exceções
O contraste com grande parte da região é significativo.
De acordo com as conclusões do CIVICUS Monitor para a África Subsaariana, 44 dos 50 países e territórios avaliados estão classificados como “obstruídos”, “reprimidos” ou “fechados”.
Mais de 80% da população da região vive em países onde o espaço cívico é considerado “reprimido” ou “fechado”.
No nível mais favorável encontram-se apenas Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, ambos classificados como “abertos”.
Outros países africanos relativamente bem posicionados, como Botswana, Maurícias, Namíbia e Seychelles, permanecem na categoria imediatamente inferior, denominada pelo CIVICUS “narrowed”, que pode ser traduzida como espaço cívico “limitado”.
Cabo Verde soma 88 pontos em 100
Na base de dados do CIVICUS Monitor, Cabo Verde apresenta uma pontuação de 88/100.
São Tomé e Príncipe regista igualmente 88/100.
A pontuação deve ser interpretada em conjunto com a categoria atribuída pelo CIVICUS. Quanto mais favoráveis forem as condições para o exercício das liberdades de associação, reunião pacífica e expressão, melhor será a classificação do país.
Como é feita a avaliação?
O CIVICUS Monitor acompanha 198 países e territórios e utiliza informações provenientes de organizações da sociedade civil, equipas regionais de investigação, índices internacionais de direitos humanos e especialistas.
A partir desses elementos, os países e territórios são enquadrados em cinco categorias: aberto (open), limitado (narrowed), obstruído (obstructed), reprimido (repressed) e fechado (closed).
Por isso, o indicador não deve ser interpretado simplesmente como uma medição do “poder dos cidadãos sobre o Governo”. O que está efetivamente em avaliação são as condições existentes para que cidadãos e organizações exerçam liberdades fundamentais e participem no espaço público.
Uma posição pouco comum na região
O resultado coloca Cabo Verde numa situação particularmente diferenciada na África Subsaariana.
Num contexto em que a grande maioria dos países e territórios avaliados apresenta algum nível significativo de restrição do espaço cívico, Cabo Verde permanece, juntamente com São Tomé e Príncipe, na categoria mais favorável utilizada pelo CIVICUS Monitor.
É um resultado que evidencia a posição do arquipélago no panorama regional das liberdades cívicas, sem significar que o país esteja livre de desafios ou que a classificação avalie diretamente a qualidade de todas as dimensões da democracia.
Caboverde24.info
Fonte: CIVICUS Monitor — People Power Under Attack / Global Findings 2025. Informação adicional: Business Insider Africa, 21 de agosto de 2026.
Em 30 segundos
- 🇨🇻 Cabo Verde regista 88 pontos em 100 no CIVICUS Monitor.
- O espaço cívico do país está classificado como “aberto”.
- Apenas Cabo Verde e São Tomé e Príncipe têm essa classificação na África Subsaariana.
- 44 dos 50 países e territórios avaliados na região estão classificados como obstruídos, reprimidos ou fechados.
- O indicador avalia sobretudo as liberdades de expressão, associação e reunião pacífica.

























