“Novos estudos mostram uma transformação das rotas internacionais da cocaína. A posição de Cabo Verde no Atlântico coloca o país numa zona particularmente sensível, ao mesmo tempo que aumenta o desafio da vigilância marítima.”
Em 30 segundos
🌍 Pelo menos um terço da cocaína destinada à Europa poderá transitar pela África Ocidental, segundo a Global Initiative Against Transnational Organized Crime.
🇨🇻 A Comissão Europeia considera Cabo Verde um importante ponto de trânsito da cocaína proveniente da América Latina com destino à Europa e África.
🌊 A dimensão da área marítima cabo-verdiana torna a vigilância particularmente complexa.
🔎 As rotas estão a mudar, com transferências no alto-mar e utilização de diferentes tipos de embarcações para dificultar a deteção.
Uma rota que está a crescer
A África Ocidental está a assumir um papel cada vez mais importante no tráfico internacional de cocaína entre a América Latina e a Europa.
Uma análise publicada este domingo pelo Ghana Business News voltou a colocar o fenómeno em destaque. Mas os números mais relevantes encontram-se nos estudos internacionais que analisam diretamente a evolução destas rotas.
A Global Initiative Against Transnational Organized Crime estima que pelo menos um terço da cocaína destinada à Europa poderá atualmente transitar pela África Ocidental.
O seu estudo sobre os mercados de cocaína na região conclui também que este foi o mercado criminoso que mais cresceu na África Ocidental entre 2019 e 2025.
E Cabo Verde?
A posição geográfica do arquipélago ajuda a explicar por que Cabo Verde aparece repetidamente nos estudos internacionais sobre estas rotas.
Um relatório publicado em 2026 pela Comissão Europeia considera que o país continua a ser um importante ponto de trânsito da cocaína proveniente da América Latina e destinada à Europa e África.
Um dos principais desafios está no mar.
Cabo Verde possui uma vasta Zona Económica Exclusiva, cuja fiscalização exige importantes meios humanos, tecnológicos, navais e aéreos. A Comissão Europeia chama igualmente a atenção para as limitações existentes na capacidade de patrulhar eficazmente esta extensa área marítima.
Grandes apreensões mostram a dimensão do fenómeno
A importância desta rota não é apenas teórica.
A Organização das Nações Unidas contra a Droga e o Crime já destacou algumas das grandes apreensões realizadas em Cabo Verde ou nas suas proximidades: 9,5 toneladas em fevereiro de 2019, 2,3 toneladas em agosto do mesmo ano e 5,7 toneladas em abril de 2022.
Mais recentemente, operações internacionais voltaram a intercetar grandes carregamentos no Atlântico.
A Comissão Europeia destaca, entre os exemplos, a apreensão de uma tonelada de cocaína num pesqueiro com destino a Espanha em águas próximas de Cabo Verde, em 2023, e a localização de uma embarcação com cerca de 1,6 toneladas em dezembro de 2024.
O tráfico também está a mudar
O problema torna-se mais complexo porque as redes criminosas adaptam continuamente as suas estratégias.
Além da utilização de contentores e navios comerciais, investigações internacionais descrevem transferências de cocaína em alto-mar, recurso a embarcações menores e divisão dos carregamentos para reduzir o risco de perder toda a mercadoria numa única operação.
O Brasil aparece igualmente como um importante ponto de saída da cocaína que atravessa o Atlântico em direção à África e à Europa. A Global Initiative registou também apreensões associadas a rotas entre o Panamá e Cabo Verde.
Cabo Verde também reforçou a resposta
A posição geográfica representa uma vulnerabilidade, mas isso não significa ausência de resposta.
A Comissão Europeia reconhece progressos no reforço da capacidade investigativa, judicial e financeira de Cabo Verde no combate ao tráfico de droga e ao branqueamento de capitais, apoiados também pela cooperação internacional.
Essa cooperação procura igualmente reforçar a capacidade de vigilância e resposta no espaço marítimo cabo-verdiano.
O desafio será acompanhar redes de tráfico que mudam rapidamente de métodos e rotas e que procuram tirar partido precisamente da enorme dimensão do Atlântico.
Caboverde24.info
Fontes: Global Initiative Against Transnational Organized Crime; Comissão Europeia; Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC)





















