O que sabemos sobre as 30 “auto voadoras” que podem chegar a Cabo Verde?

“Se confirmado, o acordo entre Moov e Eve Air Mobility poderá trazer mobilidade regional às ilhas de São Vicente, Santo Antão, Sal, Praia e Boa Vista”

Uma nova tecnologia no horizonte insular

​Uma aeronave elétrica de descolagem e aterragem vertical — conhecida pela sigla eVTOL — pode vir a fazer parte da paisagem de Cabo Verde.

​No âmbito do Farnborough International Airshow 2026, um dos maiores salões de aviação do mundo, a companhia suíça Moov e a fabricante brasileira Eve Air Mobility anunciaram, a 19 de julho, a assinatura de uma carta de intenções para a possível aquisição de até 30 destas aeronaves, com foco no turismo e na mobilidade regional do arquipélago.

Um acordo ainda em fase de estudo

​É importante clarificar desde já: trata-se de uma carta de intenções (LOI), e não de uma encomenda firme. O documento estabelece que as duas empresas vão avaliar em conjunto, ao longo dos próximos meses, a viabilidade de introduzir eVTOLs em Cabo Verde, antes de qualquer compromisso definitivo de compra ou operação.

​Entre os usos identificados estão passeios turísticos panorâmicos, ligações tipo “shuttle” entre aeroportos, portos e unidades hoteleiras, e mobilidade regional nas ilhas de São Vicente, Santo Antão, Sal, Praia e Boa Vista. As empresas apontam ainda potencial em transporte médico de emergência e inspeção de infraestruturas.

Quanto conseguem voar estas aeronaves?

​Segundo dados oficiais da Eve Air Mobility, confirmados por múltiplas fontes independentes, o eVTOL da empresa tem uma autonomia de cerca de 100 km por voo, com capacidade para quatro passageiros e um piloto, e uma velocidade de cruzeiro de cerca de 200 km/h.

​Estes dois valores — autonomia e velocidade — não devem ser confundidos: os 100 km definem a distância máxima que a aeronave percorre com uma carga de bateria, enquanto os 200 km/h referem-se apenas à sua velocidade em voo de cruzeiro.

​Com esta autonomia, dentro de ilhas maiores como Santo Antão ou Santiago (onde fica a Praia), 100 km são suficientes para cobrir praticamente qualquer trajeto interno. Já para ligações entre ilhas, a viabilidade depende da distância concreta entre pontos de descolagem e aterragem — algo que, para já, a Eve e a Moov não especificaram publicamente no acordo.

Por que Cabo Verde despertou este interesse?

​O CEO da Eve, Johann Bordais, justificou a escolha do arquipélago citando o crescimento do turismo, a diversidade geográfica das ilhas e o investimento contínuo em infraestruturas.

​Segundo dados do Banco Mundial citados pela Eve, Cabo Verde recebeu cerca de 1,18 milhões de turistas em 2024, um crescimento de 16,5% face ao ano anterior — número que reforça, aos olhos dos investidores, o potencial de um mercado de mobilidade aérea premium ligado ao turismo.

Quem é a Moov?

​A Moov é uma companhia aérea sediada em Lugano, na Suíça, que está a desenvolver o projeto “Atlantic Gateway”: uma rede de aviação intercontinental pensada para ligar a Europa, a África e a América Latina. O fundador e CEO, capitão Alvaro N. de Oliveira, descreveu Cabo Verde como um ponto estratégico dentro dessa visão de conectividade no Atlântico médio.

O contexto global da Eve

​A mesma feira serviu para a Eve anunciar um segundo acordo, de até 16 aeronaves, com a empresa norte-americana Shearwater Global Capital, voltado para financiamento de aviação — este sem ligação direta a Cabo Verde.

​Segundo a empresa, antes mesmo destes dois acordos, a carteira global de intenções de compra da Eve já rondava as 2.700 unidades, apesar de o modelo Eve 100 ainda estar em fase de certificação.

Nota editorial:

Convém sublinhar que uma carta de intenções não garante a chegada efetiva destas aeronaves a Cabo Verde, nem define ainda se o seu uso será para ligações entre ilhas ou apenas para deslocações dentro de cada ilha. Com uma autonomia de cerca de 100 km, o uso mais provável, para já, parece ser a mobilidade interna em cada ilha e não ligações inter-ilhas de maior distância. Fatores como certificação regulatória, infraestrutura de recarga e viabilidade financeira ainda terão de ser avaliados antes de qualquer decisão final de frota.

Recordamos que…

Cabo Verde tem registado um crescimento sustentado do turismo nos últimos anos, o que tem atraído sucessivos interesses de investidores internacionais em setores ligados à conectividade aérea e marítima do arquipélago, sob acompanhamento da nossa redação nesta terça-feira, 21 de julho de 2026.

Caboverde24.info

Fonte e foto: Eve Air Mobility / Moov

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