Dessalinização submarina: A tecnologia norueguesa que pode ser a solução para Cabo Verde

“Foca na redução de 50% dos custos de energia, que é a maior “dor” da dessalinização em Cabo Verde”

A startup norueguesa Flocean prepara-se para lançar, já em 2026, o Flocean One: o primeiro dessalinizador comercial que funciona no fundo do mar. Esta tecnologia utiliza a pressão natural do oceano (entre 400 a 600 metros de profundidade) para transformar água salgada em potável, reduzindo o consumo de energia em 50% e os custos de instalação em até 8 vezes face às centrais tradicionais.

Contexto e dados pregressos: O desafio hídrico em Cabo Verde

​Recordemos que Cabo Verde é um dos países com maior dependência de água dessalinizada no mundo, representando 85% a 90% do consumo público. Atualmente, o país depende de centrais em terra (como as de Santiago, Maio, Sal e Boa Vista) que, apesar dos investimentos recentes e da integração de energias renováveis, enfrentam desafios constantes:

  • Altos custos de eletricidade, que encarecem a fatura das famílias.
  • Manutenção complexa de bombas de alta pressão e filtros que entopem com sedimentos costeiros.
  • Impacto ambiental, devido ao descarte de salmoura concentrada perto da orla marítima.
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Tecnologia e vantagens: eficiência no fundo do mar

​O sistema da Flocean elimina a necessidade de bombas de alta pressão, pois a própria profundidade do mar faz o trabalho de “empurrar” a água pelas membranas. Além disso, a ausência de luz solar nessas profundezas impede o crescimento de micro-organismos, permitindo que o sistema funcione até um ano sem manutenção.

​Com uma capacidade modular que começa nos 1.000 m³/dia (suficiente para cerca de 37.500 pessoas) e pode chegar aos 50.000 m³/dia, o sistema ocupa 95% menos espaço na costa, preservando a estética das nossas praias e zonas turísticas.

​Potencial de aplicação no arquipélago

​Cabo Verde possui uma geografia privilegiada para esta tecnologia. As nossas ilhas, de origem vulcânica, têm uma plataforma continental curta, o que significa que as profundezas ideais (300-600 metros) são atingidas muito perto da costa.

​A aplicação destes módulos em ilhas como a Boa Vista ou o Sal, onde o turismo exige grandes quantidades de água, ou em Santiago, para aliviar a pressão sobre os sistemas atuais, seria um divisor de águas. O projeto permite ainda a integração com os parques solares já existentes em Cabo Verde, criando um ciclo de produção de água 100% limpo e muito mais barato.

​Com parcerias globais de gigantes como a Xylem, esta solução norueguesa não é apenas uma promessa, mas uma alternativa real que o nosso Governo e as empresas de água (como a Electra e as Águas de Santiago) devem acompanhar de perto para garantir a resiliência hídrica do país até 2030.

Cape Verde 24.info

Fonte: Flocean AS (Oslo, Noruega).

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